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Impacto da obesidade no trabalho passa por queda de produtividade

Do absenteísmo ao presenteísmo, evidências mostram que a obesidade reduz rendimento e aumenta custos nas empresas

André Derviche Carvalho

8 de jan de 2026 (atualizado 8 de jan de 2026 às 11h58)

O impacto da obesidade no trabalho já é mensurável. Segundo o Global Burden of Disease (GBD 2019), quase metade dos anos saudáveis perdidos no mundo está relacionada a fatores de risco de doenças crônicas, e o alto índice de massa corporal (IMC) é um dos que mais cresceram na última década. Esse avanço se reflete nas empresas, onde a obesidade tem provocado queda de produtividade, aumento de faltas e elevação dos custos com saúde.

Revisões científicas indicam que o impacto da obesidade no trabalho envolve aumento de custos médicos e redução de produtividade. A pesquisa Impacto da Obesidade na Qualidade de Vida, Produtividade e Saúde do Trabalhador, de 2015, mostra que os gastos com saúde de pessoas com obesidade são cerca de 25% maiores do que os de indivíduos com peso adequado.

Em países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o problema representa entre 1% e 3% de todo o gasto público em saúde. Esses números reforçam que o tema não é apenas clínico, mas também econômico.

O impacto da obesidade no presenteísmo

As perdas econômicas associadas à obesidade decorrem, sobretudo, do presenteísmo — quando o trabalhador está presente, mas produz menos. Estimativas internacionais indicam que esse fenômeno responde por cerca de 70% das perdas de produtividade ligadas à condição.

Já o absenteísmo, embora menos frequente, também tem impacto relevante. Em média, trabalhadores com obesidade perdem 3,7 dias a mais por ano em comparação aos colegas com peso eutrófico.

Assim, o impacto da obesidade no trabalho se manifesta em diferentes níveis. Ele afeta o desempenho individual, eleva custos com afastamentos e sinistros e compromete resultados coletivos. Por isso, o tema deve ser tratado como um componente da gestão e da cultura organizacional.

Hábitos e escolhas alimentares dentro das empresas

O ambiente alimentar é outro fator determinante nesse cenário. Um estudo publicado na Ciência & Saúde Coletiva (2025) analisou 350 promoções no aplicativo iFood em São Paulo e mostrou que 55% das ofertas eram de ultraprocessados. Esse dado ajuda a entender como as condições de alimentação, tanto no espaço físico quanto digital, moldam os hábitos de consumo durante o expediente.

Nesse contexto, o doutor Alberto Ogata, do pesquisador Centro de Pesquisa em Administração em Saúde da FGV EAESP, defende uma nova visão sobre o papel das empresas:

“O ambiente de trabalho não tem sido valorizado como espaço para abordagem da obesidade, mas ele é considerado um espaço privilegiado para a promoção da saúde.”

Ou seja, a empresa pode ser parte do problema ou da solução. A forma como ela organiza seus espaços, cardápios e horários influencia diretamente o comportamento alimentar e o nível de atividade física dos colaboradores.

Estratégias empresariais e prevenção da obesidade no trabalho

Há diversos caminhos práticos para reduzir o impacto da obesidade no trabalho. As empresas podem, por exemplo, criar programas de letramento em saúde, revisar cardápios de refeitórios, ajustar intervalos de alimentação e oferecer orientação nutricional e psicológica. Além disso, políticas de incentivo à atividade física e apoio ao controle de peso ajudam a promover uma cultura de bem-estar.

O uso de tecnologias também tem papel importante. Aplicativos e wearables permitem monitorar hábitos e estabelecer metas individuais. Em paralelo, parcerias com instituições como SESC e SESI ampliam o alcance das ações e fortalecem a prevenção.

Cultura organizacional e prevenção de DCNTs

Para Ogata, discutir o impacto da obesidade no trabalho é fundamental para além do setor de saúde:

“Precisamos trazer a empresa para a discussão, que não é do setor saúde. Ali é onde as pessoas passam muitas horas e levam comportamentos para casa. Vai muito além do sistema de saúde.”

Dessa forma, políticas internas de alimentação equilibrada, estímulo à atividade física e suporte emocional podem transformar o ambiente de trabalho em um aliado da prevenção. Quando integradas à cultura organizacional, essas medidas reduzem o risco de DCNTs, melhoram o bem-estar e fortalecem a produtividade.