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Boletim

Boletim PBO

Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade

Boletim PBO
Edição 13/2026 #121

Boletim PBO

  1. Publicado em: 23 de jun de 2026

  2. Período: De 10 a 22 de junho/2026

  3. Resenhas desta edição:
    1. Effect of ultraprocessed foods taxation on overweight prevalence and noncommunicable diseases in Brazil

      Autores: Joyce M. Camargo, Eduardo A.F. Nilson, Gerson Ferrari, Leandro F.M. Rezende

      Fonte: American Journal of Preventive Medicine

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

      Tipo de estudo: Estudo observacional

    2. Weight maintenance after discontinuation of GLP-1 therapies

      Autores: Areesha Moiz, Kristian B. Filion, Bärbel Knäuper, Michael A. Tsoukas, Anne-Sophie Brazeau, Tetiana Zolotarova, Audrey Lelièvre, Mark J. Eisenberg

      Fonte: eClinicalMedicine

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

      Tipo de estudo: Revisão

Fique de olho

 

Cursos:

Agenda do Painel Brasileiro da Obesidade:

Fique de olho em nosso canal do Youtube! 

Quinta-feira, às 11h.

Effect of ultraprocessed foods taxation on overweight prevalence and noncommunicable diseases in Brazil

Autores: Joyce M. Camargo, Eduardo A.F. Nilson, Gerson Ferrari, Leandro F.M. Rezende
Fonte: American Journal of Preventive Medicine
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Estudo observacional
Link para o original

Por que o tema é relevante?

No Brasil, a participação dos ultraprocessados na ingestão calórica total aumentou de 16% em 2002–2003 para 20% em 2017–2018, tornando-se um importante desafio para a saúde pública. Nesse contexto, políticas fiscais, como a tributação, têm sido discutidas como estratégias capazes de reduzir o consumo e minimizar os impactos sanitários e econômicos relacionados às DCNTs. 

Qual é o objetivo do estudo?

Estimar o impacto da tributação dos alimentos ultraprocessados sobre a prevalência de excesso de peso e sobre a incidência e mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis entre adultos brasileiros no período de 2024 a 2044.

Quais as principais conclusões?

O estudo projeta que, caso as tendências atuais sejam mantidas, mais de 10 milhões de novos casos de doenças crônicas atribuíveis ao excesso de peso e mais de 1 milhão de mortes ocorrerão no Brasil entre 2024 e 2044. A prevalência de excesso de peso passaria de 57% em 2023 para 75% em 2044, contudo com a adoção de impostos capazes de elevar os preços dos ultraprocessados essa prevalência seria reduzida.
Em termos de impacto sobre as doenças crônicas, um aumento de 10% nos preços dos ultraprocessados evitaria aproximadamente 526 mil novos casos de DCNTs e cerca de 71 mil mortes ao longo de vinte anos. Com uma tributação de 20%, os números alcançariam em torno de 862 mil casos e 115 mil mortes evitadas. o cenário de 50% de aumento de preços poderia evitar cerca de 1,79 milhão de casos de doenças crônicas e quase 237 mil mortes.
Entre os agravos prevenidos, o diabetes tipo 2 representaria a maior parcela dos casos evitados, enquanto as doenças cardiovasculares correspondem pela maior parte das mortes prevenidas.
Os autores concluem que a tributação dos alimentos ultraprocessados pode ser uma estratégia eficaz de saúde pública para reduzir a prevalência de excesso de peso e diminuir a carga de doenças crônicas no Brasil. Além disso, defendem que essa medida seja implementada em conjunto com outras políticas, como rotulagem nutricional, restrições à publicidade de alimentos não saudáveis e incentivos ao consumo de alimentos in natura e minimamente processados, ampliando seus benefícios para a população.

Weight maintenance after discontinuation of GLP-1 therapies

Autores: Areesha Moiz, Kristian B. Filion, Bärbel Knäuper, Michael A. Tsoukas, Anne-Sophie Brazeau, Tetiana Zolotarova, Audrey Lelièvre, Mark J. Eisenberg
Fonte: eClinicalMedicine
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Revisão
Link para o original

Por que o tema é relevante?

Os agonistas do receptor de GLP-1 transformaram o manejo da obesidade, com a perda do peso e melhora dos desfechos cardiometabólicos. Entretanto, a obesidade é uma doença crônica e recidivante, e a interrupção precoce do tratamento está associada à rápida recuperação do peso perdido e à atenuação dos benefícios cardiometabólicos obtidos durante o período terapêutico. 

Qual é o objetivo do estudo?

Revisar e sintetizar as evidências sobre o ganho de peso após a interrupção das terapias baseadas em GLP-1. 

Quais as principais conclusões?

A obesidade é uma doença crônica que requer manejo contínuo, mesmo com o uso de agonistas do receptor de GLP-1. Ainda assim, a manutenção dessa terapia ainda representa um desafio, a interrupção do tratamento muitas vezes ocorre devido ao custo, efeitos adversos ou dificuldades de adesão a longo prazo.
O ganho de peso após a interrupção dos agonistas de GLP-1 é esperado e reflete a natureza crônica da obesidade. Cerca de dois terços do peso perdido são recuperados em até um ano após a suspensão do tratamento, acompanhados da perda de alguns dos benefícios cardiometabólicos, incluindo melhora da glicemia, pressão arterial, perfil lipídico e circunferência abdominal.
Biologicamente, a interrupção do tratamento reverte sinais de saciedade e favorece o aumento da fome e da ingestão alimentar, associada a mudanças hormonais e à redução do gasto energético por termogênese adaptativa, o que dificulta a manutenção do peso perdido.
O artigo reforça que intervenções isoladas têm efeito limitado. Os melhores resultados são obtidos com abordagem combinada, incluindo alimentação saudável, atividade física regular (200–300 min/semana), acompanhamento comportamental e monitoramento do peso. Programas estruturados, na mudança de comportamento, que incluem terapia cognitivo-comportamental, ajudam a reduzir a recuperação do peso, embora exijam alto engajamento dos pacientes.
De forma geral, a manutenção da perda de peso após a interrupção dos agonistas de GLP-1 depende de uma abordagem integrada e centrada no paciente, combinando suporte clínico, estratégias comportamentais e mudanças sustentáveis no estilo de vida