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Boletim

Boletim PBO

Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade

Boletim PBO
Edição 19/2026 #127

Boletim PBO

  1. Publicado em: 15 de set de 2026

  2. Período: De 02 a 14 de setembro/2026

  3. Resenhas desta edição:
    1. Divergent Obesity Classification Between the Edmonton Obesity Staging System and the Lancet Commission Model

      Autores: Tobias Hagemann, Arya M. Sharma, Matthias Blüher, Ana Hoffmann

      Fonte: Obesity

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

    2. Obesity and eye diseases

      Autores: Kamila Pieńczykowska, Anna Bryl, Małgorzata Mrugacz

      Fonte: Nutrients

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

Fique de olho

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Quinta-feira, às 11h.

 

Divergent Obesity Classification Between the Edmonton Obesity Staging System and the Lancet Commission Model

Autores: Tobias Hagemann, Arya M. Sharma, Matthias Blüher, Ana Hoffmann
Fonte: Obesity
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Link para o original

Por que o tema é relevante?

A obesidade é majoritariamente identificada e classificada pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Embora útil para rastreamento populacional, o IMC não distingue adequadamente a composição e a distribuição da gordura corporal nem o grau de comprometimento metabólico, funcional ou de órgãos. Nesse contexto, outros modelos incorporam a repercussão da obesidade sobre a saúde.

Qual é o objetivo do estudo?

Comparar como o Sistema de Estadiamento da Obesidade de Edmonton (EOSS) e o Modelo Diagnóstico da Obesidade da Comissão Lancet (DMO) classificam indivíduos com obesidade e em que medida os dois sistemas concordam ou divergem na identificação da gravidade da doença. 

Quais as principais conclusões?

O Sistema de Estadiamento da Obesidade de Edmonton (EOSS) classifica a gravidade, em estágios de 0 a 4, considerando fatores de risco, doenças associadas, dano a órgãos e limitações funcionais.o Modelo Diagnóstico da Obesidade da Comissão Lancet (DMO) de 2025, diferencia obesidade pré-clínica (excesso de adiposidade sem disfunção orgânica ou limitação funcional atual), de obesidade clínica (presença de sinais de disfunção de órgãos ou tecidos e/ou limitações nas atividades cotidianas relacionadas ao excesso de adiposidade).
No estudo, os modelos identificaram proporções semelhantes de pessoas com obesidade: 24% pelo critério EOSS e 23,4% pelo DMO, mas a distribuição da gravidade foi diferente. No EOSS, mais de 90% dos indivíduos foram classificados em estágios com doença crônica estabelecida ou dano mais avançado.
Já a DMO, 89,6% das pessoas classificadas com obesidade apresentavam obesidade clínica, enquanto 10,4% apresentavam obesidade pré-clínica. Os critérios que mais contribuíram para a classificação da obesidade clínica foram as disfunções metabólicas (73%), cardiovasculares (58%) e musculoesqueléticas (51%), seguidas das respiratórias (31%) e renais (28%).
Essa diferenciação ocorre porque os dois modelos operacionalizam de maneira diferente alterações metabólicas, cardiovasculares, renais, musculoesqueléticas e de saúde mental. O EOSS enfatiza doenças clinicamente estabelecidas e manifestações mais avançadas, enquanto o DMO identifica um espectro mais amplo de disfunções orgânicas e funcionais, inclusive alterações mais leves ou precoces.
Em síntese, o estudo conclui que EOSS e DMO não devem ser entendidos como modelos concorrentes, mas como abordagens complementares, sendo o IMC isoladamente insuficiente para representar a gravidade da obesidade e apontam para a necessidade de harmonizar critérios que combinem adiposidade, distribuição de gordura, comprometimento de órgãos e limitações funcionais. 

Obesity and eye diseases

Autores: Kamila Pieńczykowska, Anna Bryl, Małgorzata Mrugacz
Fonte: Nutrients
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Link para o original

Por que o tema é relevante?

A obesidade deve ser compreendida como uma condição caracterizada por inflamação sistêmica crônica, resistência à insulina, alterações hormonais, dislipidemia e estresse oxidativo, processos capazes de afetar tecidos de elevada demanda metabólica, como retina, epitélio pigmentar da retina, nervo óptico e superfície ocular.

Qual é o objetivo do estudo?

Sintetizar e avaliar as evidências sobre a relação entre obesidade, disfunção metabólica, fatores nutricionais e doenças oculares. 

Quais as principais conclusões?

O estudo aborda mecanismos que podem conectar obesidade e alterações oculares, por meio de rede de alterações metabólicas, inflamatórias e vasculares capaz de afetar diferentes estruturas do olho.
As evidências são relevantes para algumas condições, como a síndrome do olho seco, pessoas com obesidade apresentam maior probabilidade da doença, e com alterações do filme lacrimal e das glândulas meibomianas, inclusive em crianças. Na catarata, foi observado que cada aumento de 5 kg/m² no IMC esteve associado a risco 6% maior de catarata relacionada à idade e 27% maior de catarata subcapsular posterior, embora diabetes e outras alterações metabólicas possam mediar parte dessa associação.
Para a Degeneração Macular Relacionada à Idade, a adiposidade central e visceral se correlacionam aos mecanismos relacionados à inflamação sistêmica, estresse oxidativo e alterações lipídicas. Na retinopatia diabética, a obesidade integra uma rede mais ampla de fatores metabólicos, incluindo hiperglicemia, hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina e inflamação. Já no glaucoma, embora a obesidade esteja associada ao aumento da pressão intraocular, sua relação com o desenvolvimento da doença permanece incerta, sendo a síndrome metabólica e as alterações no metabolismo da glicose potencialmente mais relevantes do que o IMC isolado.
Em síntese, a revisão destaca que a localização e a atividade metabólica do tecido adiposo podem ser mais relevantes para a saúde ocular do que o peso corporal isoladamente. Assim, mais do que avaliar se o excesso de peso causa doenças oculares, é fundamental compreender como a distribuição da adiposidade e as alterações metabólicas associadas interagem com diferentes estruturas e condições oculares.