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Agenda global de DCNTs ainda exclui pessoas com obesidade

Apesar de avanços em documentos internacionais, o debate global sobre doenças crônicas ainda privilegia a prevenção e deixa de lado o cuidado integral de pessoas com obesidade

André Derviche Carvalho

6 de abr de 2026 (atualizado 6 de abr de 2026 às 13h43)

A obesidade tem sido pauta de reuniões de alto nível de organizações como a ONU (Organização das Nações Unidas) pelo menos desde 2011. De lá para cá, a agenda global de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) têm focado em aspectos da prevenção, como alimentação saudável e atividade física.

No entanto, os documentos globais ainda apresentam lacunas, que desconsideram o protagonismo de pessoas com obesidade e o acesso desse grupo ao sistema de saúde.

Histórico da agenda global de DCNTs

As reuniões de alto nível da ONU sobre DCNTs — realizadas em 2011, 2014 e 2018 — marcaram o avanço do tema no cenário internacional. Com elas, governos despertaram para a necessidade de reduzir mortes prematuras por DCNTs ao redor do mundo.

O principal eixo dos documentos é a promoção de ambientes alimentares que favoreçam escolhas saudáveis. Junto a isso, as iniciativas globais abordam a promoção da atividade física e a necessidade de rotular alimentos. Ainda assim, desde 2011, os documentos vêm falando muito da obesidade e outras DCNTs e pouco das pessoas que enfrentam essas condições.

A proposta mais recente, o zero draft da reunião de alto nível da ONU sobre DCNTs de 2025, reforça essa tendência. O texto valoriza ambientes saudáveis e estilos de vida, mas aborda pouco a obesidade como doença crônica que requer cuidado contínuo e multiprofissional. As lacunas motivaram posicionamento mais abrangentes de órgãos como a WOF (World Obesity Federation).

“Nós, como Instituto Cordial, esperávamos uma melhoria e vínhamos trabalhando para visibilizar a obesidade e conseguir espaços nos sistemas de saúde”, analisa Guilherme Nafalski, head de relações institucionais do Instituto Cordial

Avanços recentes e o papel do Brasil

Nos últimos anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem caminhando para preencher parte dessas lacunas. Em 2023, o documento Recomendações para a Prevenção e Manejo da Obesidade ao Longo da Vida propôs incluir o tema nas agendas nacionais e acolher pessoas com obesidade nos sistemas de saúde.

Mesmo assim, o desafio permanece, sendo necessário transpor essa agenda global para o nível local. No Brasil, Nafalski indica que deve ser aproveitada a capilaridade do SUS e a capacidade do país de articular políticas intersetoriais.

O Brasil se destaca em políticas de alimentação saudável e combate ao ambiente obesogênico. Mas ainda falta uma estrutura de cuidado que reconheça a obesidade em toda a linha de atenção — da Atenção Primária à Terciária.

“Um dos grandes problemas hoje é que, no Ministério da Saúde, a obesidade está relacionada simplesmente a uma Coordenadoria Geral de Alimentação e Nutrição, que tem que se preocupar com isso, mas que não deveria ser responsável pela obesidade, porque a obesidade está na Atenção Primária, Secundária e Terciária. Não se fala do sofrimento das pessoas com obesidade”, diz Nafalski

Do ambiente ao acolhimento

A agenda global de DCNTs continua a priorizar a prevenção. As recomendações mais recentes destacam alimentação saudável, atividade física e rotulagem de alimentos.

Essas bandeiras são fundamentais — e também defendidas pelo Painel Brasileiro da Obesidade (PBO) —, mas não bastam para enfrentar a complexidade da doença.

O Painel Brasileiro da Obesidade, do Instituto Cordial, trabalha para qualificar o debate e influenciar políticas públicas que unam prevenção, cuidado e combate ao estigma. As agendas prioritárias definidas pelo Painel incluem o reconhecimento da obesidade como DCNT, a formação adequada de profissionais de saúde, o aumento da disponibilidade de dados e o cuidado contínuo e multiprofissional.

Por uma agenda global mais inclusiva

O cenário global ainda privilegia a prevenção em detrimento do manejo da obesidade. O Brasil tem a oportunidade de avançar além disso e colocar as pessoas no centro das decisões.

A construção de uma agenda global de DCNTs mais inclusiva exige reconhecer o sofrimento e a complexidade da obesidade. Mais do que um problema de comportamento, ela é uma condição de saúde que demanda acolhimento, políticas intersetoriais e protagonismo das pessoas afetadas.