Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade
Boletim PBOBoletim PBO
Publicado em: 1 de fev de 2022
Período: De 14 a 27 de Janeiro/2022
- Resenhas desta edição:
The role of immune dysfunction in obesity-associated cancer risk, progression, and metastasis
Autores: Aneesha Kulkarni, Laura W. Bowers
Fonte: Cellular and Molecular Life Sciences
Publicado em: 2022
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Revisão
Autores: Tim Lobstein, Jo Jewell
Fonte: Obesity Reviews
Publicado em: 2022
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Destaques do período
Eventos
- O Painel Brasileiro da Obesidade mantém o seu ciclo de lives.
- Em 27 de janeiro com a temática “Custos da Obesidade no Brasil”, em que Eduardo Nilson, do Nupens/USP e CGAN/MS, foi convidado para debater sobre como os sistemas de informação integram os dados sobre obesidade e seus custos diretos e indiretos.
- Em 20 de janeiro sobre “Aspectos da Sociologia da Obesidade: uma leitura de Jean-Pierre Poulain” com Guilherme Nafalski, sociólogo e Coordenador do Painel Brasileiro da Obesidade.
- Dia 23/01, foi lançado o “Linguagem importa!”, documento produzido pelo Fórum DCNTs com o apoio de 21 instituições. O guia, construído a partir de pesquisas e materiais internacionais consagrados, será uma referência a profissionais de saúde, comunicação e a demais interessados no Brasil. Ele fornece exemplos práticos de linguagem centrada na pessoa.
- Dia 27 de janeiro, foi realizado o evento de lançamento do relatório “Tributação de bebidas e alimentos não saudáveis no mundo: experiências internacionais e seus impactos”, desenvolvido pela ACT Promoção da Saúde. O documento pode ser acessado pelo site.
- Em 27 de janeiro a Obesity Canada começou a sua série de webinars com o tema “Fads, Food & Facts: How Diet Culture Undermines Obesity Management”, conduzido por Amber Huett-Garcia, membro fundador da Global Obesity Patient Alliance.
Geral
Está aberta a chamada do Estudo NutriNet Brasil, coordenado pelo Nupens/USP, que vai acompanhar 200 mil brasileiros. O objetivo é conhecer os padrões alimentares da população e como eles podem se relacionar com o risco de doenças crônicas não-transmissíveis.
Fique de olho
- 31 de janeiro a 2 de fevereiro – 19h. “Obesidade em Debate”. Evento online promovido pela Nutrology Academy.
- 3 de fevereiro – 15h. “A escola como ambiente Promotor de Saúde e favorável à Prevenção de Obesidade Infantil”. Evento online promovido pelo DATASUS e pela Coordenadoria-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN/MS).
- 8 de fevereiro – 15h. “ENANI-2019: Estado Nutricional antropométrico de crianças e mães”. Evento Online do Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC-UFRJ).
- 15 de fevereiro. “Vozes da juventude para a saúde climática: uma oficina interativa para discutir dieta e sistemas alimentares para saúde, clima e planeta”. Oficina da World Obesity Federation (WOF).
- 15 a 17 de fevereiro – 14h. “II Seminário Internacional de Alimentação e Nutrição na Atenção Primária à Saúde”. Realizado pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde.
Cursos e pesquisas:
- Curso gratuito sobre Cuidado da Criança e Adolescente com Sobrepeso e Obesidade na Atenção Primária à Saúde ofertado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) através da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS).
- Curso gratuito sobre Abordagem do Sobrepeso e Obesidade na Atenção Primária em Saúde ofertado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) através da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS).
- Chamada para participação no Estudo NutriNet Brasil conduzido pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).
Agenda do Painel Brasileiro da Obesidade:
Fiquem de olho em nosso Canal do Youtube!
Quintas-feiras às 11h.
- 03 de fevereiro de 2022. A organização da atenção à obesidade no âmbito da Atenção Primária no SUS, com Gisele Bortolini (CGAN).
- 10 de fevereiro de 2022. Abordagem Coletiva para Manejo da Obesidade no Sistema Único de Saúde, com Aline Lopes (UFMG) .
- 17 de fevereiro de 2022. Formação permanente para obesidade, com Luciana Castro (UERJ) .
- 24 de fevereiro de 2022. Lançamento do Working Paper sobre Linhas de cuidado para o sobrepeso e obesidade, com a pesquisadora Mayara Miranda (PBO).
- 03 de março de 2022. Obesidade e câncer, com Raquel Santana (Centro de Pesquisa do Câncer da Georgetown University.)
The role of immune dysfunction in obesity-associated cancer risk, progression, and metastasis
Autores: Aneesha Kulkarni, Laura W. Bowers
Fonte: Cellular and Molecular Life Sciences
Publicado em: 2021
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Revisão
Link para o original
Por que o tema é relevante?
A obesidade está associada ao risco aumentado e pior desfecho de vários tipos de câncer. Os mecanismos que contribuem para o efeito cancerígeno são diversos. Dentre eles, destaca-se a disfunção do sistema imunológico do corpo. Contudo, a atividade das células imunes no microambiente tumoral ainda foi pouco explorada.
Qual é o objetivo do estudo?
Compreender o impacto da inflamação causada pelo tecido adiposo e da imunossupressão do tumor no risco, progressão e metástase do câncer induzido pela obesidade.
Quais as principais conclusões?
A obesidade está associada com o maior risco de desenvolvimento de 13 tipos de câncer: esôfago (adenocarcinoma), estômago (cárdia), intestino (colo e reto), fígado, vesícula biliar, pâncreas, mama (após a menopausa), ovário, endométrio (corpo do útero), rins, tireóide, meningioma e mieloma múltiplo. O excesso de calorias ingeridas é estocado no corpo na forma de gordura armazenada nos adipócitos (células de gordura) do tecido adiposo branco. O processo leva à diminuição do fornecimento de oxigênio (hipóxia) para essas células e ao estresse mecânico, promovendo um desequilíbrio do ambiente tecidual. O resultado é a inflamação local.
A redução da oxigenação também impede o amadurecimento das células de gordura. Na sua forma jovem (pré-adipócitos), elas produzem leptina e citocinas inflamatórias, como o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa). Essas substâncias podem lesionar o próprio tecido adiposo, causando resistência à leptina, hormônio que regula o metabolismo energético e a sensação de saciedade. A resistência à ação da leptina é uma característica comum de pessoas com obesidade, podendo contribuir para o aparecimento dessa doença e a manutenção do ambiente inflamatório promovido pelo tecido adiposo branco. Indivíduos com obesidade, mesmo sem o quadro inflamatório, estão sujeitos à inflamação dos adipócitos e ao risco aumentado de resistência insulínica, diabetes mellitus e doença cardiovascular.
Os mecanismos de hipóxia, inflamação e alteração do perfil das adipocinas produzido pelo tecido adiposo contribuem, ainda, para a progressão de tumores. A leptina, especificamente, está envolvida na proliferação do câncer, na resistência a quimioterápicos e na formação de novos vasos sanguíneos, que vão levar nutrientes e oxigênio para o tumor que se formou. A resistência insulínica, por sua vez, pode ocasionar a formação do tumor e, inclusive, promover sua disseminação (metástase).
Em pessoas com obesidade, o microambiente tumoral envolvido com o tecido adiposo e as adipocinas, como a leptina, pode alterar as defesas do corpo. Por exemplo, através da exaustão do sistema imune. Além disso, é comum que este microambiente promova a progressão do tumor ao liberar substâncias imunossupressoras que favorecem o seu crescimento. Na obesidade, o aumento no sangue de leptina e insulina no sangue pode reduzir o combate ao tumor ao diminuir a função citotóxica. A citotoxicidade faz parte do sistema de vigilância do corpo contra o câncer.
No aspecto do tratamento, o estudo aponta que indivíduos com obesidade têm uma pior resposta à quimioterapia. A presença de gordura em excesso em torno de tumores sólidos, como o de mama, representa uma barreira para que o quimioterápico possa atingir o seu alvo e ser efetivo. Outro desafio, é a subdosagem. A pesquisa revela que cerca de 40% das pessoas com obesidade estão sujeitas a subdosagens. Em decorrência dos efeitos tóxicos da superdosagem, o médico, muitas vezes, não utiliza o peso atual do paciente para o cálculo da medicação. Desta forma, pode ocorrer uma variação de até 25% na dose calculada.
É clara, então, a relação entre a obesidade e o câncer. Embora aponte diversos fatores por meio dos quais o excesso de gordura promova o desenvolvimento do tumor, algumas questões merecem aprofundamento. Os autores destacam a necessidade de pesquisas clínicas sobre a eficácia e segurança das terapias contra o câncer para prevenir a subdosagens ou super ativação do sistema imunológico. Diante do aumento de casos de câncer no mundo, melhorar o tratamento pode reduzir o impacto da obesidade na mortalidade por câncer.
What is a “high” prevalence of obesity? Two rapid reviews and a proposed set of thresholds for classifying prevalence levels
Autores: Tim Lobstein, Jo Jewell
Fonte: Obesity Reviews
Publicado em: 2022
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Link para o original
Por que o tema é relevante?
Categorias como “alto” e “baixo” ajudam a estabelecer prioridades nas políticas públicas de saúde. É importante compreender o que elas significam a fim de monitorar a prevalência de obesidade e definir se as metas estabelecidas são alcançadas, como a da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, que prevê reduzir em um terço as mortes prematuras por doenças crônicas não-transmissíveis e acabar com todas as formas de desnutrição.
Qual é objetivo do estudo?
Comparar a aplicação de diferentes categorias de prevalência de obesidade apresentadas em políticas públicas e pesquisas científicas; além de desenvolver valores de recomendação para classificar a prevalência do excesso de peso em crianças e adultos.
Quais as principais conclusões?
O levantamento de estudos sobre o tema identificou que o menor valor de prevalência de obesidade classificado como “alto” era inferior a 10% em adultos e a 5% em crianças e adolescentes. Os critérios para essas definições fundamentaram-se no julgamento dos próprios pesquisadores e não dispunham de referências para a sua definição. Por outro lado, nos documentos de saúde pública voltados para crianças menores de cinco anos, quatro padrões foram apresentados: Organização Mundial da Saúde(OMS)/ UNICEF, World Bank Group, Popkin et al.2 e World Obesity Federation. O primeiro referencial foi citado em 87% das publicações. Diante do baixo poder discriminatório da classificação do World Bank e Popkin et al., os autores recomendam a utilização dos referenciais da OMS/UNICEF.
Os mesmos valores podem ser aplicados para crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. Há uma forte associação entre a obesidade na adolescência e na vida adulta. Análises realizadas pelos autores mostraram ser duas vezes maior a prevalência de obesidade em adultos. Por isso, eles sugerem o limite de 20% para identificar os países com elevada presença de obesidade no público adulto.
De acordo com a proposta apresentada, vários países seriam classificados como elevada prevalência de obesidade. Os valores recomendados classificariam 21%, 39% e 55% deles como alta e muito alta prevalência de obesidade em menores de 5 anos, indivíduos de 5 a 19 anos e adultos, respectivamente. Uma versão piloto destas recomendações foram aplicadas e analisadas pela OMS/UNICEF em vários países em 2020-2021. O trabalho espera que World Obesity Federation também adote os valores sugeridos na sua próxima edição do Atlas Series.
Proposta de classificação da prevalência do excesso de peso (sobrepeso e obesidade) em diferentes faixas etárias: