Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade
Boletim PBOBoletim PBO
Publicado em: 15 de ago de 2023
Período: De 27 de julho a 09 de agosto/2023
- Resenhas desta edição:
Oxidative stress linking obesity and cancer: is obesity a ‘Radical Trigger’ to cancer?
Autores: Mirna Jovanović, Sanja Kovačević, Jelena Brkljačić, Ana Djordjevic
Fonte: International Journal of Molecular Sciences
Publicado em: 2023
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Autores: Leona Ryan, Rory Coyne, Caroline Heary, Susie Birney, Michael Crotty, Rosie Dunne, Owen Conlan, Jane C. Walsh
Fonte: Obesity Reviews
Publicado em: 2023
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Destaques do período
Eventos
- O Painel Brasileiro da Obesidade (PBO) manteve o ciclo de eventos semanais com a atividade:
- 10 de agosto. Live “Retrato do aleitamento materno no Brasil” com a participação de Doralice Ramos, pesquisadora do PBO;
- 03 de agosto. Live de lançamento do Working Paper sobre custos da obesidade no Brasil com a pesquisadora do PBO, Jaqueline Gentil;
- 10 de agosto. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) realizou o bate-papo do departamento de Voz do paciente com o nutricionista Erick Cuzziol (@nutricionistagordo) e a influenciadora Inara Silva (@inaraplussizelady);
- 10 de agosto. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) realizou a live “Como fica a alimentação após a cirurgia bariátrica?”;
- 09 de agosto. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) organizou a live de lançamento da “Comissão Especial de Sustentabilidade e Cultura Alimentar”;
- 08 de agosto. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) promoveu a live “Colesterol: o inimigo silencioso” em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Colesterol;
- 03 de agosto. O Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (CEPID OCRC) da Universidade Estadual de Campinas promoveu a palestra “Aleitamento materno: base para uma vida saudável” como parte do Projeto Alimentação Saudável e Cuidados na Primeira Infância;
- 01 de agosto. A SBCBM, promoveu o debate “Obesidade versus Infertilidade”, para abordar questões como os desafios enfrentados por mulheres com obesidade para engravidar e esclarecer dúvidas sobre quanto tempo após a cirurgia bariátrica é recomendado a gravidez;
- 31 de julho e 01 de agosto. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva realiza o “II Simpósio internacional do GT – Avaliação em saúde”;
- 28 de julho. O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) organizou a mesa redonda “Condições crônicas não transmissíveis nos sistemas de informação em saúde: um olhar para a Atenção Primária à Saúde no Estado da Bahia”.
Publicações
- A revista Obesity Reviews publicou uma série de artigos sobre o Projeto CO-CREATE, lançado em 2018. Um dos objetivos da iniciativa é incentivar a participação dos sujeitos das pesquisas desenvolvidas na área de saúde pública e obesidade na formulação de políticas públicas. Desde o início, o foco do projeto tem sido os adolescentes, reconhecendo que eles representam a próxima geração de adultos, pais e formuladores de políticas.
Fique de olho
- 05 de agosto a 09 de dezembro. O Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) da Universidade de São Paulo (USP) divulga o “Aprimoramento em Transtornos Alimentares” na modalidade online;
- 07 de agosto a 07 de outubro. O Sustentarea, núcleo de extensão vinculado à Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP/USP), está lançando a segunda edição do curso “Multiplica ODS – conectando sistemas alimentares aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”. A proposta visa aproximar alunos de graduação e pós-graduação da temática da sustentabilidade, sob a perspectiva dos sistemas alimentares;
- 15 de agosto. A Associação Paulista de Nutrição (APAN) promove o workshop Participem do nosso workshop “Como utilizar as novas Curvas e recomendações de ganho de peso gestacional para mulheres brasileiras?”;
- 16 de agosto. O Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) organiza o 4º encontro do café com a formação com o tema “Os desafios na formação do nutricionista para o Sistema Único de Saúde (SUS)”;
- 18 de agosto. O Fórum DCNTs promove o evento “Câncer de mama: diagnóstico e prevenção em pessoas de alto risco”;
- 19 e 20 de agosto. O Ambulim realiza o 3º workshop “Desvendando a compulsão alimentar”;
- 21 a 24 de agosto. A ACT Promoção da Saúde organiza o XVI Seminário alianças estratégicas para promoção da saúde, em Brasília.
- 24 de agosto. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mantém o “Ciclo de debates sobre promoção da alimentação adequada e saudável”;
- Até 30 de novembro. Em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), a UNA-SUS promove o minicurso de qualificação profissional sobre “Indicadores de saúde”. O curso possui carga horária de 20 horas e é oferecido no formato online;
- Até 30 de novembro. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC) torna público e informa a abertura das inscrições aos interessado(a)s em participar do “Curso Sistema GRADE: graduação da certeza no conjunto final da evidência e força de recomendação para tomada de decisão em saúde”, na modalidade de educação a distância, on-line.
Agenda do Painel Brasileiro da Obesidade:
Fique de olho em nosso canal do Youtube!
Quintas-feiras, às 11h.
- 17 de agosto. Live “Novas evidências sobre as cirurgias para obesidade” com a presença do cirurgião Fábio Viegas, membro da SBCBM;
- 24 de agosto. Live “O olhar médico em relação ao impacto do estigma da obesidade” com a convidada Cynthia Valério, diretora da Abeso;
- 31 de agosto. Live “Mudanças no cuidado à saúde com o avanço da inteligência artificial” com a participação do professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), Walmir Coutinho.
Oxidative stress linking obesity and cancer: is obesity a ‘Radical Trigger’ to cancer?
Autores: Mirna Jovanović, Sanja Kovačević, Jelena Brkljačić, Ana Djordjevic
Fonte: International Journal of Molecular Sciences
Publicado em: 2023
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
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Por que o tema é relevante?
Cânceres relacionados ao excesso de peso são considerados doenças não transmissíveis preveníveis. Dados estatísticos apontam que, devido à redução do tabagismo, na taxa atual, estima-se que até 2043, a obesidade irá superar o tabaco como a principal causa evitável de câncer em mulheres no Reino Unido.
Qual é o objetivo do artigo?
Compreender como o estresse oxidativo, decorrente das alterações metabólicas e moleculares causadas pelo consumo elevado de calorias e gorduras em pessoas com obesidade, contribui para o aparecimento e a evolução do câncer
Quais as principais conclusões?
A pesquisa revela uma complexa rede de interações entre a obesidade e o câncer.
- No início desse processo, o aumento do tecido adiposo não é adequadamente acompanhado pelo crescimento de vasos sanguíneos (angiogênese) para suprir suas necessidades, resultando na falta transitória de oxigênio em certas áreas do tecido.
- Esse déficit de oxigenação provoca uma resposta inflamatória e o aumento na geração de espécies reativas de oxigênio (ERO), desequilibrando o sistema antioxidante. Esse processo é conhecido como estresse oxidativo.
- Diferentes tipos de EROs podem desencadear vários mecanismos para ativar e manter a inflamação por si só, além de interferir na função das enzimas antioxidantes.
- A inflamação, o acúmulo de EROs e as proteínas danificadas pelos EROs podem comprometer a sinalização da insulina e levar à resistência insulínica.
- Tanto o aumento da insulina quanto a sua resistência podem elevar os níveis do fator de crescimento denominado IGF-1, o qual tem sido associado aos cânceres, como de mama, pâncreas e colorretal.
- O aumento dos níveis circulantes de carboidratos, como a glicose, também pode levar a sua reação com proteínas, em um processo que, reconhecidamente, contribui para o surgimento de diferentes tipos de câncer.
- O ciclo vicioso entre inflamação e estresse oxidativo no tecido adiposo, causado pela obesidade, pode ser a força motriz que inicia as alterações do tecido adiposo, criando um ambiente que potencializa o desenvolvimento e a propagação de tumores.
- O estresse oxidativo elevado pode, ainda, modificar a estrutura do DNA e dos lipídios das células, criando novas espécies reativas no processo. Os produtos da transformação dos lipídios, por sua vez, aumentam as chances de mutações do DNA.
O estresse oxidativo pode ser um gatilho para a morte celular. As células danificadas passam por autodestruição como uma forma de controle de danos para limitar o possível efeito prejudicial das mutações nas células vizinhas e no organismo como um todo. Porém, nesse contexto, as células alteradas aumentam a produção de enzimas antioxidantes e modificam seu metabolismo para evitar sua destruição. Enquanto as células cancerosas evitam com sucesso a sua morte, elas mantêm os níveis de EROs relativamente altos, assim como o estresse oxidativo, contribuindo com novas mutações do DNA.
Weight stigma experienced by patients with obesity in healthcare settings: A qualitative evidence synthesis
Autores: Leona Ryan, Rory Coyne, Caroline Heary, Susie Birney, Michael Crotty, Rosie Dunne, Owen Conlan, Jane C. Walsh
Fonte: Obesity Reviews
Publicado em: 2023
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
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Por que o tema é relevante?
A experiência do estigma do peso sob a perspectiva dos pacientes pode aumentar a conscientização sobre como ele se manifesta nas interações entre pacientes e prestadores de cuidados de saúde e, em última instância, inspirar mudanças na prestação de cuidados de saúde.
Qual é o objetivo do relatório?
Analisar o estigma relacionado ao peso vivenciado em ambientes de cuidados de saúde, sob a perspectiva de pacientes vivendo com obesidade.
Quais as principais conclusões?
Esta revisão da literatura identificou três temas principais a partir da experiência de pessoas com obesidade no ambiente de saúde. Os resultados relacionados a cada um desses aspectos mostram que:
- O estigma do peso na comunicação verbal e não verbal nas interações entre pacientes e os profissionais da saúde se apresenta na forma da desvalorização da pessoa por meio do uso de linguagem pejorativa, como envergonhar e culpabilizar o indivíduo; comentários depreciativos; e um tratamento “de cima para baixo”. Essas situações levaram os pacientes a se sentirem desempoderados em relação aos próprios cuidados com a saúde. Além disso, táticas de medo impactaram negativamente o estado psicológico da pessoa, tendo efeito contrário ao esperado pelo profissional de saúde. O estigma também foi percebido na comunicação não verbal de repulsa, desprezo e uma demonstrada falta de vontade em tocar os pacientes. Por outro lado, alguns participantes descreveram interações positivas principalmente na atenção terciária, onde eles foram tratados com respeito e suas preocupações foram ouvidas;
“Basicamente, eu recebia uma palestra toda vez que eu ia. Eles faziam julgamentos sobre o que eu comia, sobre o quanto eu me exercitava. Eles nunca me perguntavam; eles apenas diziam coisas como ‘Não beba refrigerante’, o que eu não faço, e ‘Não coma barras de chocolate’, o que também não faço” (relato adaptado de RYAN et al., 2023).
- A percepção do paciente sobre como o estigma do peso afeta a prestação dos cuidados em saúde. Neste contexto, as pessoas se sentiam invisíveis, os procedimentos médicos eram recusados ou realizados baseados no índice de massa corporal e as decisões eram tomadas sem o consentimento do indivíduo;
“‘Sabe, você vai lá, estou com dor de cabeça.’ ‘É porque você está gordo.’ ‘Meus dedos do pé doem.’ ‘É porque você está gordo.’” (relato adaptado de RYAN et al., 2023).
- As barreiras sistêmicas percebidas pelos pacientes com obesidade ao tentar utilizar os sistemas de saúde, evidenciada pela falta de equidade na prestação de serviços médicos e nos equipamentos disponíveis, acompanhamento clínico deficiente, pouco apoio para pessoas que passaram por cirurgia bariátrica e orientações de saúde simplistas que minimizavam a complexidade da obesidade.
“Eu não quero nenhum tratamento excepcional; deveria ser simplesmente o caso de que, se você é um paciente, pode ter acesso aos cuidados de que precisa” (relato adaptado de RYAN et al., 2023).