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‘Incorporação dos novos critérios é mais fácil no SUS’, diz especialista sobre bariátrica

Professor Álvaro Bandeira Ferraz, da UFPE, comenta mudanças na cirurgia bariátrica e alerta para desafios no sistema público

André Derviche Carvalho

13 de mar de 2026 (atualizado 13 de mar de 2026 às 14h41)

O CFM (Conselho Federal de Medicina) ampliou os critérios para a cirurgia bariátrica no Brasil. Agora, pessoas com obesidade grau I (IMC entre 30 e 34,9) e doenças associadas também podem realizar o procedimento. Antes, a indicação era restrita a casos mais graves.

Para o professor Álvaro Bandeira Ferraz, do Departamento de Cirurgia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a mudança representa avanço. Segundo ele, o SUS (Sistema Único de Saúde) tende a adotar as novas regras mais rápido que a medicina privada, que depende da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Ferraz afirma que o acesso ainda é limitado. Poucos centros estão habilitados e o valor pago pelo SUS não cobre o custo real da cirurgia. Ele reforça que o acompanhamento após o procedimento é essencial. Alimentação equilibrada, prática de atividade física e atenção à saúde mental ajudam a garantir resultados duradouros.

LEIA TAMBÉM: Influenciadora revela desafios e transformações da cirurgia bariátrica

Essas mudanças podem prevenir complicações relacionadas à obesidade no longo prazo?

Esse é o grande objetivo da cirurgia bariátrica. A obesidade gera um processo crônico de inflamação no organismo, isso altera as funções do fígado, pâncreas, coração, além dos hormônios, o que aumenta os riscos para o câncer.

Nesse sentido, a cirurgia bariátrica é capaz, de maneira muito efetiva, de diminuir as complicações. Além disso, a cirurgia está cada vez mais segura, precisa e rápida. O índice de complicações é muito baixo. Por isso, ela precisa ser mais oferecida à população que mais precisa.

Como está a incorporação da cirurgia bariátrica no SUS?

A incorporação desses novos critérios no SUS é muito mais fácil do que na medicina privada. A medicina privada é regulamentada pela ANS, que nem sempre é tão ágil quanto o CFM. Então, esses novos critérios não estão valendo para a medicina privada. Enquanto isso, no SUS já temos essa flexibilidade.

O grande problema é que o SUS paga menos por cirurgia do que realmente gasta. Ainda estamos operando muito pouco, com poucos centros credenciados no Brasil. É um desafio que precisamos superar.

Quais estratégias do acompanhamento multidisciplinar são indispensáveis para garantir resultados sustentáveis?

O grande objetivo da cirurgia bariátrica é trazer condições para o paciente ter uma perda de peso sustentada. Para isso, ele precisa ter uma alimentação saudável, exercício físico constante e saúde mental adequada. Nesse sentido, toda essa equipe multidisciplinar tem que estar voltada para criar condições ao paciente.

A cirurgia bariátrica consegue determinar uma perda de peso de 30% a 35% e os profissionais precisam mostrar que têm condições de fazer.

Publicamos um trabalho que mostrou que 20% dos pacientes, antes de serem operados, já tinham alterações de vitamina. Ou seja, eles precisam ter alterações corrigidas para não piorar. As novas cirurgias autorizadas determinam a dificuldade maior de absorção de algumas vitaminas, a B12 é uma delas. Precisamos repor essa dificuldade.

Há cuidados para em pacientes que passaram por cirurgia para gravidez e parto?

A obesidade impacta muito na fertilidade do paciente. Temos feito muitos procedimentos em pacientes com dificuldade de engravidar. Depois da cirurgia, a fertilidade da mulher e do homem aumenta, com maior possibilidade de engravidar.

LEIA TAMBÉM: Ganho de peso na gravidez traz riscos à mãe e ao bebê

Durante a gravidez, precisamos ter atenção aos nutrientes, principalmente ao ferro, porque o bebê puxa muito ferro da mãe. Isso pode causar uma diminuição dos valores da mãe que fez cirurgia bariátrica. Precisamos ter cuidado para ter uma gravidez tranquila.