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Boletim

Boletim PBO

Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade

Boletim PBO
Edição 12/2026 #120

Boletim PBO

  1. Publicado em: 9 de jun de 2026

  2. Período: De 27 de maio a 08 de junho/2026

  3. Resenhas desta edição:
    1. Progress toward the 2030 targets of Brazil’s Strategic Action Plan for noncommunicable diseases: a time-series and projection analysis of risk factors

      Autores: Jacqueline Wahrhaftig, Gerson Ferrari, Rafael Claro, Anna Beatriz Souza Antunes, Leticia De Oliveira Cardoso, Leandro F.M. Rezende

      Fonte: The Lancet Regional Health - Americas

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

      Tipo de estudo: Estudo observacional

    2. Ultra‐processed food intake, cognitive function, and dementia risk: A cross‐sectional study of middle‐aged and older Australian adults

      Autores: Barbara R. Cardoso, Euridice Martinez Steele, Barbara Brayner, Xinyi Yuan, Lisa Bransby, Hannah Cummins, Yen Ying Lim, Priscila Machado

      Fonte: Alzheimer's &, Dementia: Diagnosis, Assessment &, Disease Monitoring

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

      Tipo de estudo: Estudo observacional

Fique de olho

Cursos:

Agenda do Painel Brasileiro da Obesidade:

Fique de olho em nosso canal do Youtube! 

Quinta-feira, às 11h.

Progress toward the 2030 targets of Brazil’s Strategic Action Plan for noncommunicable diseases: a time-series and projection analysis of risk factors

Autores: Jacqueline Wahrhaftig, Gerson Ferrari, Rafael Claro, Anna Beatriz Souza Antunes, Leticia De Oliveira Cardoso, Leandro F.M. Rezende
Fonte: The Lancet Regional Health - Americas
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Estudo observacional
Link para o original

Por que o tema é relevante?

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), representam cerca de 54,7% de todas as mortes no Brasil, sendo aproximadamente 40% delas prematuras (entre 30 e 69 anos). Diante desse cenário, o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT 2021–2030 estabelece metas nacionais para reduzir fatores de risco modificáveis que influenciam as causas dessas mortes. 

Qual é o objetivo do estudo?

Analisar as tendências temporais dos principais fatores de risco para DCNT entre 2009 e 2023 e projetar suas prevalências até 2030. 

Quais as principais conclusões?

A análise dos dados do VIGITEL indica que o Brasil tem avançado no controle de alguns fatores de risco para doenças crônicas, mas permanece distante de alcançar a maior parte das metas estabelecidas para 2030.
As projeções apontam redução expressiva do consumo regular de bebidas açucaradas, de 15,0% em 2019 para 3,2% em 2030, superando a meta nacional. O tabagismo também deverá continuar em declínio, passando de 9,8% para 4,7%.
Em contrapartida, o consumo abusivo de álcool tende a aumentar de 18,8% para 21,3%, afastando-se da meta, com crescimento mais acentuado entre as mulheres. Quanto aos fatores de proteção, os avanços previstos são modestos, como o consumo recomendado de frutas e hortaliças que deverá passar de 22,9% para 24,5%, enquanto a prática de atividade física no lazer aumentará de 39,0% para 45,3%, permanecendo aquém dos objetivos definidos para 2030.
O cenário mais preocupante refere-se à obesidade e às doenças metabólicas. A prevalência de obesidade deverá crescer de 20,3% para 28,3%, aumento de 39,4% e contrariando a meta de estabilização. Também são projetados aumentos na prevalência de diabetes, que poderá atingir 10,9%, crescimento de 47,3%, e de hipertensão, que deverá alcançar 27,3% com crescimento de 11,4%.
Embora algumas políticas públicas tenham produzido resultados positivos, fatores estruturais como o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, as desigualdades sociais e as limitações das estratégias continuam favorecendo o avanço da obesidade e das doenças crônicas. Assim, o país está próximo de atingir as metas relacionadas ao tabagismo e ao consumo de bebidas açucaradas, mas dificilmente alcançará os objetivos referentes à obesidade, ao consumo abusivo de álcool, à alimentação saudável e à atividade física. 

Ultra‐processed food intake, cognitive function, and dementia risk: A cross‐sectional study of middle‐aged and older Australian adults

Autores: Barbara R. Cardoso, Euridice Martinez Steele, Barbara Brayner, Xinyi Yuan, Lisa Bransby, Hannah Cummins, Yen Ying Lim, Priscila Machado
Fonte: Alzheimer's &, Dementia: Diagnosis, Assessment &, Disease Monitoring
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Estudo observacional
Link para o original

Por que o tema é relevante?

O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados (AUPs) estão associados a mais de 30 desfechos adversos, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e transtornos mentais, todos reconhecidos como fatores de risco para demência. Compreender a influência dessas relações é fundamental para aprimorar estratégias de prevenção da demência e orientar recomendações.

Qual é o objetivo do estudo?

Investigar a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados, o desempenho cognitivo e o risco de demência em adultos australianos de meia-idade e idosos (40 a 70 anos).

Quais as principais conclusões?

Foram analisados dados de participantes sem demência do Healthy Brain Project, avaliando alimentação por questionário de frequência alimentar, a função cognitiva pela Cogstate Brief Battery e o risco de demência pelo escore de Fatores de Risco Cardiovasculares, Envelhecimento e Incidência de Demência (CAIDE).
O maior consumo de alimentos ultraprocessados esteve associado a pior desempenho na atenção e maior risco modificável de demência. Cada aumento de 10% na participação desses alimentos na dieta foi relacionado à redução de 0,05 ponto no escore de atenção e ao aumento de 0,24 ponto no escore CAIDE.
O consumo médio de ultraprocessados chegou a 21,1% do peso total dos alimentos ingeridos e a 40,6% da ingestão energética diária. Os jovens são os maiores consumidores, com maior prevalência de obesidade e menor adesão à dieta mediterrânea. Entre os alimentos consumidos estavam sobremesas, bebidas lácteas, refrigerantes, salgadinhos, carnes processadas e refeições prontas.
Os resultados sugerem que os efeitos dos ultraprocessados podem estar relacionados a alterações da matriz alimentar, perda de compostos protetores naturais, exposição a contaminantes gerados no processamento e impactos na microbiota intestinal, inflamação sistêmica e saúde cerebrovascular.
Em síntese, uma maior ingestão de alimentos ultraprocessados associou-se a pior atenção e maior risco de demência em adultos de meia-idade e idosos, independentemente da qualidade global da dieta, reforçando a importância de considerar o grau de processamento dos alimentos nas estratégias de prevenção do declínio cognitivo.