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Boletim

Boletim PBO

Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade

Boletim PBO
Edição 16/2026 #124

Boletim PBO

  1. Publicado em: 5 de ago de 2026

  2. Período: De 22 de julho a 03 de agosto/2026

  3. Resenhas desta edição:
    1. The state of food security and nutrition in the world 2026

      Autores: FAO

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Relatório

    2. Prevalence, comorbidities, and mortality of obesity classes 4 and 5 in adults

      Autores: Katelynn Tran, Xinlian Zhang, Phillipp Hartmann

      Fonte: Obesity Science &, Practice

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

Fique de olho

Cursos:

Agenda do Painel Brasileiro da Obesidade:

Fique de olho em nosso canal do Youtube! 

Quinta-feira, às 11h.

  • 06 de agosto. Live sobre “Minha história com a obesidade” com a participante Nádia Mendes;

The state of food security and nutrition in the world 2026

Autores: FAO
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Relatório
Link para o original

Por que o tema é relevante?

O relatório destaca que, apesar da redução gradual da fome, cerca de um terço da população mundial não tem condições de acessar uma dieta saudável devido ao seu custo. Essa realidade perpetua as formas de má nutrição, desnutrição, as deficiências de micronutrientes e o aumento das doenças crônicas não transmissíveis relacionadas à alimentação, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.   

Qual é o objetivo do estudo?

Compreender os fatores que determinam o alto custo de uma alimentação saudável em diferentes países e regiões do mundo.

Quais as principais conclusões?

O estudo atualiza os indicadores globais de segurança alimentar e nutricional, para analisar as diferenças regionais no custo das dietas saudáveis. Embora com avanços graduais na redução da fome e na ampliação do acesso a dietas saudáveis, o ritmo atual é insuficiente para que o mundo alcance o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS)  2 (Fome Zero) até 2030.
Em 2025, cerca de 7,8% da população mundial ainda enfrentava fome e as projeções indicam que entre 510 e 520 milhões de pessoas permanecerão nessa condição em 2030, das quais 56% estão na África. Além disso, 32,7% da população mundial não conseguiam pagar por uma dieta saudável, cujo custo médio global estava em US$ PPC 4,28 por pessoa por dia, sendo na África, 66,6% da população sem condições de custear uma alimentação saudável.
No contexto brasileiro, o relatório evidencia que o custo de uma dieta saudável aumentou de US$ PPC 3,15 para US$ PPC 4,89 por pessoa por dia entre 2017 e 2025, acompanhando a tendência observada na América Latina, região que apresenta o maior custo médio de alimentação saudável do mundo. A elevação do custo dos alimentos nutritivos permanece como um importante desafio para ampliar o acesso da população a uma alimentação adequada.
O relatório também evidencia que persistem importantes desafios nutricionais: menos de um terço das crianças de 6 a 23 meses recebe uma dieta minimamente diversa, menos de dois terços das mulheres em idade reprodutiva apresentam diversidade alimentar adequada e a obesidade atingiu seu maior nível histórico, afetando 16,2% dos adultos em 2024.
Diante desse cenário, o documento conclui que o manejo da insegurança alimentar e da má nutrição exige políticas estruturais capazes de reduzir o custo dos alimentos saudáveis, fortalecer a proteção social, aumentar a produtividade agrícola e tornar os sistemas alimentares mais eficientes, resilientes e equitativos

Prevalence, comorbidities, and mortality of obesity classes 4 and 5 in adults

Autores: Katelynn Tran, Xinlian Zhang, Phillipp Hartmann
Fonte: Obesity Science &, Practice
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Link para o original

Por que o tema é relevante?

O estudo evidencia o crescimento acelerado da obesidade extremamente grave (classes 4 e 5), um grupo pouco caracterizado na literatura, mas que apresenta risco maior de complicações metabólicas e morte quando comparado às formas menos graves. Compreender a evolução dessas classes é essencial para orientar políticas públicas, serviços de saúde e prioridades terapêuticas.

Qual é o objetivo do estudo?

Determinar a evolução da prevalência da obesidade nas classes 4 e 5 em adultos norte-americanos entre 2000 e 2023.

Quais as principais conclusões?

De acordo com o estudo a entre 2000 e 2023, a prevalência da obesidade grave das classes 4 e 5 (IMC ≥ 50 a < 60 kg/m² e IMC ≥ 60 kg/m², respectivamente) aumentou 256%, passando de 0,6% para 2,2% da população adulta. Somente a classe 5 cresceu 247% (de 0,2% para 0,5%), com maior aumento entre mulheres e pessoas negras não hispânicas.
Indivíduos com obesidade dessas classes apresentam maior carga de doenças metabólicas que as demais classes, dos adultos estudados cerca de 75,5% tinham MASLD, 97% resistência à insulina, 89,7% síndrome metabólica e em torno de 40% pré-diabetes ou diabetes tipo 2. Além disso, os adultos apresentaram aumento progressivo dos marcadores inflamatórios e elevada prevalência de fibrose hepática avançada.
Em comparação aos indivíduos sem obesidade, pessoas com obesidade classes 4 e 5 apresentaram risco de desenvolver MASLD (23 vezes maior), de resistência à insulina (79 vezes maior), resistência insulínica grave (26 vezes maior), de diabetes tipo 2 (6,7 vezes maior) e de síndrome metabólica (10 vezes maior), evidenciando a relação entre maior gravidade da obesidade e pior perfil metabólico.
Por fim, o risco de morte das pessoas com obesidade das classes 4 e 5 em dez anos é 2,2 vezes maior que pessoas sem obesidade e 1,8 vez maior que aquelas com obesidade classes 1 a 3 sendo que, somente da classe 5 o risco de morte foi de 3,2 vezes maior. O rápido crescimento dessas formas graves, associado à elevada carga de doenças metabólicas e maior mortalidade, reforça a necessidade de ampliar o acesso ao tratamento e priorizar pacientes de maior risco para terapias farmacológicas e cirurgia bariátrica.