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População LBGTQIA+ tem alimentação diferenciada, mostra pesquisa

Pesquisa investigou hábitos alimentares da população LGBTQIA+ com base em dados da PNS

André Derviche Carvalho

31 de mar de 2026 (atualizado 31 de mar de 2026 às 10h01)

Homens gays consomem menos feijão, carne vermelha e peixe. Mulheres lésbicas têm maior probabilidade de consumir bebidas alcoólicas do que as heterossexuais. Assim, as constatações de uma pesquisa da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) mostram a influência de variáveis sociais sobre hábitos alimentares da população LGBTQIA+.

O estudo foi publicado em 2024 com base em dados da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) de 2019. Ao analisar os dados, o nutricionista Sávio Gomes lembrou que “as pessoas têm relações diferentes com a comida e com o acesso à alimentação a partir do local social que elas estão”.

Nesse sentido, especialistas apontam que ainda não se tem uma explicação única para essas diferenças. No caso da população LGBTQIA+, a hipótese é que essas variáveis estejam associadas a fatores como saúde mental desse grupo até exclusão do mercado de trabalho.

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Sobrepeso e obesidade na população LGBTQIA+

Os dados também revelam os desfechos de saúde. Nesse caso, mulheres bissexuais apresentaram maior frequência de obesidade e sobrepeso entre todas as mulheres brasileiras.

“O estresse pode não ter uma relação direta com insegurança alimentar, mas dependendo de onde você vivencia essa situação de preconceito, ela repercute sobre renda, trabalho e, consequentemente, com a qualidade dos alimentos”, explica Sávio.

Pela mesma lógica, mulheres trans apresentaram duas vezes mais chances de desenvolver infarto do miocárdio em relação a pessoas cis. Já homens trans podem ter até quatro vezes mais. Os dados são do estudo Cardiovascular Disease Risk Factors and Myocardial Infarction in the Transgender Population, de 2019, e não atribuem esse risco elevado ao uso de hormônios.

Atendimento à população LBTQIA+

Além disso, outro fator a se considerar no momento de analisar hábitos alimentares e o estado nutricional da população LGBTQIA+ é o atendimento a esse grupo.

Nesse sentido, Sávio Gomes reforçou a importância de dois documentos: o Guia de cuidado e atenção nutricional à população LBTQIA+ e do Protocolo para o atendimento de pessoas transexuais e travestis no município de São Paulo.

Com isso, gestores e profissionais de saúde devem criar ambientes de cuidado acolhedor, que não afastem a população LGBTQIA+ do autocuidado. “A pessoa LGBTQIA+ precisa entender que a sua unidade de saúde é um espaço seguro”, diz Sávio.

Dessa forma, é preciso trazer garantias para públicos como o de pacientes trans. Por exemplo, um lugar agregador e confortável, além do respeito rigoroso ao nome social.

Além disso, outro aspecto que garante um cuidado melhor a esse público é o trabalho com dados segmentados para embasar políticas públicas: “Não temos dados de representação nacional. Precisamos que as pesquisas nacionais incluam identidade de gênero. Se não temos esse cenário, é muito difícil propor políticas públicas”, conclui Sávio.