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Atividade física reduz impactos do câncer e deve integrar o cuidado ao paciente

Cartilha do INCA recomenda atividade física no tratamento do câncer

André Derviche Carvalho

26 de maio de 2026 (atualizado 26 de maio de 2026 às 10h03)

Pacientes que praticam atividade física no tratamento do câncer obtêm benefícios como redução da fadiga, melhora na qualidade de vida e prevenção de comorbidades. Os detalhes foram descritos na cartilha Estilo de vida saudável durante e após o tratamento do câncer, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde.

Além dos pacientes, o documento  também se dirige a  profissionais de saúde. O objetivo é que esse grupo apoie o paciente com câncer na prática de atividade física durante o tratamento. O Inca estima que há 518 mil casos novos de câncer por ano no Brasil e aponta os exercícios como uma das principais formas de tratamento.

“É essencial que a equipe de saúde esteja informada de que a atividade física vai fazer parte do processo de cuidado. Nosso principal objetivo é que isso parta da equipe de saúde”, diz Fábio de Carvalho, tecnologista do Inca.

Assim, o guia busca capacitar o profissional de saúde para promover a prática de atividade física. Especialistas lembram, porém, que a recomendação deve ser criteriosa e considerar o tipo de câncer, estágio de evolução e o histórico do paciente. Afinal, existem contraindicações. Por isso, é sempre importante que o paciente busque orientação profissional.

“Quando o paciente recebe o diagnóstico, a tendência é ele ser desestimulado a fazer a atividade física. A ideia é instrumentalizar a equipe multiprofissional para como lidar em relação a orientações da atividade física”, explica Gabriela Villaça, tecnologista do Inca.

Recomendações da atividade física no tratamento do câncer

Confira algumas recomendações que a cartilha do Inca aponta para a inclusão da atividade física no tratamento do câncer:

  • Evitar a inatividade
    Mais importante do que intensidade é não ficar parado. Movimentos do dia a dia já contam para a saúde.
  • Começar devagar e progredir aos poucos
    Mesmo poucos minutos por dia já fazem diferença. A evolução deve respeitar os limites do corpo.
  • Atividade física não é só exercício estruturado
    Caminhar, subir escadas e tarefas domésticas também geram benefícios e ajudam a manter o corpo ativo.
  • Caminhada é a estratégia mais acessível
    Pode ser feita em casa ou na rua, com duração e intensidade adaptadas à condição de cada pessoa.
  • Reduz fadiga, inclusive durante o tratamento
    Ao contrário do senso comum, movimentar-se pode diminuir o cansaço e melhorar a disposição de pacientes com câncer.
  • Melhora saúde mental e qualidade de vida
    A prática regular ajuda a reduzir a ansiedade, melhora o sono e fortalece o bem-estar, fortalecendo o cuidado do câncer.
  • Preserva autonomia e funcionalidade
    Manter-se ativo ajuda a conservar força muscular e independência nas atividades diárias.
  • Segurança deve orientar a prática
    A atividade deve ser ajustada à condição clínica e, sempre que possível, acompanhada por profissionais de saúde.
  • Recomendação geral de 150 minutos por semana
    A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode ser dividida ao longo dos dias, em sessões curtas e adaptadas à rotina.
  • Regularidade é mais importante que intensidade
    Manter o hábito ao longo do tempo gera mais benefícios do que esforços pontuais mais intensos.

Atividade física nas políticas públicas

Diante disso, especialistas destacam o papel de políticas públicas na inclusão de atividade física nas linhas de cuidado. “Tudo isso culmina no debate da Política Nacional de Práticas Corporais e Atividade Físicas, que o Inca apoia. Diretrizes claras nacionais estimulam estados e municípios. Em conjunto com esse maior investimento em programas e ações, esperamos que seja possível avançar na oferta e inserção de profissionais de saúde”, diz Carvalho.

Além disso, o Inca continua atuando com cartilhas disponíveis em seu repositório junto aos cursos de Alimentação, Nutrição e Atividade Física para a prevenção contra o câncer.

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Doralice Ramos, analista de Saúde do Painel Brasileiro da Obesidade (PBO), lembra que as políticas precisam ir além da capacitação: “Este é o auge da implementação da política: não só ter capacitação e sensibilização, mas ter equipamentos no local para os pacientes. Ter um ambiente e uma equipe confiáveis é importante”.