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Boletim

Boletim PBO

Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade

Boletim PBO
Edição 15/2026 #123

Boletim PBO

  1. Publicado em: 28 de jul de 2026

  2. Período: De 08 a 20 de julho/2026

  3. Resenhas desta edição:
    1. The Gut Microbiome–Endocrine Axis in Obesity: Mechanisms and Therapeutics

      Autores: Hongfeng Mao, Xi Wang, Yan Pang, Yuwei Lu, Hui Wang, Huating Li, Yueqiong Ni, Weiping Jia

      Fonte: Journal of Gastroenterology and Hepatology

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

    2. Association between dietary patterns and metabolic syndrome and its components in quilombola women: A population-based cross-sectional study in Alagoas, Northeast Brazil

      Autores: Lídia Bezerra Barbosa, Nancy Borges Rodrigues Vasconcelos, Ewerton Amorim Dos Santos, Tamara Rodrigues Dos Santos, Thays Ataide-Silva, Haroldo Da Silva Ferreira

      Fonte: BMC Nutrition

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

Fique de olho:

Cursos:

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Fique de olho em nosso canal do Youtube! 

Quinta-feira, às 11h.

The Gut Microbiome–Endocrine Axis in Obesity: Mechanisms and Therapeutics

Autores: Hongfeng Mao, Xi Wang, Yan Pang, Yuwei Lu, Hui Wang, Huating Li, Yueqiong Ni, Weiping Jia
Fonte: Journal of Gastroenterology and Hepatology
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Link para o original

Por que o tema é relevante?

A obesidade é uma doença complexa que vai além do desequilíbrio entre ingestão calórica e gasto energético. A microbiota intestinal é fundamental para a regulação do metabolismo, influenciando apetite, inflamação, secreção hormonal e homeostase energética. Compreender o eixo microbiota-intestino-endócrino pode ampliar o entendimento da doença e favorecer o desenvolvimento de terapias mais precisas e personalizadas.

Qual é o objetivo do estudo?

Sintetizar as evidências sobre como a microbiota intestinal influencia a obesidade por meio de mecanismos endócrinos.

Quais as principais conclusões?

O estudo mostra que a microbiota intestinal exerce papel central na regulação do metabolismo energético por meio da regulação hormonal entre intestino, cérebro, tecido adiposo e pâncreas. Alterações na composição da microbiota (disbiose) reduzem a diversidade bacteriana e favorecem o aumento de bactérias pró-inflamatórias, causando inflamação crônica, resistência à insulina, aumento de gordura visceral e desregulação da saciedade.
No eixo intestino-cérebro, os metabólitos bacterianos estimulam a secreção de hormônios responsáveis pela saciedade, enquanto a disbiose reduz essa sinalização e favorece hiperfagia. Já no eixo intestino-tecido adiposo, a microbiota regula processos de lipólise, termogênese, diferenciação dos adipócitos e armazenamento lipídico. Por fim no eixo intestino-pâncreas, metabólitos bacterianos influenciam a função das células β pancreáticas, modulando a secreção de insulina, contribuindo para hiperinsulinemia, resistência à insulina e disfunção pancreática.
Nas estratégias terapêuticas, as fibras prebióticas e probióticos podem contribuir para melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir a gordura corporal e a inflamação, embora seus efeitos variem conforme a cepa e a microbiota de cada indivíduo. Ainda assim, as intervenções no estilo de vida permanecem essenciais, com destaque para dietas ricas em fibras e a prática regular de atividade física, que promovem uma microbiota mais saudável e benefícios metabólicos.

Association between dietary patterns and metabolic syndrome and its components in quilombola women: A population-based cross-sectional study in Alagoas, Northeast Brazil

Autores: Lídia Bezerra Barbosa, Nancy Borges Rodrigues Vasconcelos, Ewerton Amorim Dos Santos, Tamara Rodrigues Dos Santos, Thays Ataide-Silva, Haroldo Da Silva Ferreira
Fonte: BMC Nutrition
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Link para o original

Por que o tema é relevante?

Comunidades quilombolas apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças crônicas, devido a baixa renda, insegurança alimentar, menor escolaridade e acesso limitado aos serviços de saúde. Além disso, mudanças de consumo, impulsionadas pela urbanização e pelo acesso a alimentos ultraprocessados, aumentam o risco de síndrome metabólica. 

Qual é o objetivo do estudo?

Identificar os padrões alimentares de mulheres quilombolas residentes em comunidades do estado de Alagoas.

Quais as principais conclusões?

O estudo analisa mulheres entre 19 e 59 anos e identifica sete padrões alimentares: carnes e feijões; cereais/raízes, óleos e infusões; vegetais e temperos; açúcares e fast food; álcool e verduras; laticínios e sopas; e frutas.
A prevalência de síndrome metabólica foi de 48,3% entre as mulheres avaliadas, acompanhada por altas frequências de obesidade abdominal (68,2%), HDL reduzido (74,9%) e hipertensão arterial (45,0%). Os resultados evidenciam elevada carga de fatores de risco cardiometabólicos nessa população.
A maior adesão ao padrão “carnes e feijões” foi associada a uma prevalência 24% menor de hipertrigliceridemia, sugerindo um possível efeito protetor desse padrão alimentar. Em contraste, a maior adesão ao padrão “cereais/raízes, óleos e infusões” esteve associada a um aumento de 10% na prevalência de obesidade abdominal, pela união de alimentos tradicionais juntamente com produtos processados.
O padrão “laticínios e sopas” foi associado a uma redução de 32% na prevalência de hiperglicemia e a menor ocorrência de HDL baixo, sugerindo um possível efeito protetor do consumo de leite e derivados. Em contrapartida, a adesão intermediária ao padrão “frutas” esteve associada à maior prevalência de obesidade abdominal, resultado que pode refletir a influência de fatores residuais não controlados, como alterações hormonais.
Embora os padrões alimentares não tenham se associado diretamente à síndrome metabólica, eles influenciaram componentes específicos da condição. Os achados reforçam a importância de políticas de promoção da alimentação saudável e segurança alimentar adaptadas ao contexto sociocultural das comunidades quilombolas, visando reduzir as desigualdades em saúde e prevenir doenças cardiometabólicas.