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Boletim

Boletim PBO

Boletim PBO: acompanhe o que realmente importa do universo da obesidade

Boletim PBO
Edição 18/2026 #126

Boletim PBO

  1. Publicado em: 1 de set de 2026

  2. Período: De 19 a 31 de agosto/2026

  3. Resenhas desta edição:
    1. Posicionamento Brasileiro sobre Avaliação e Tratamento da Obesidade Pediátrica

      Autores: Louise Cominato, Cresio de Aragão Dantas Alves, Mariana Del Bosco, Ludmilla Renie Oliveira Rachid, Latife Salomão Tyszler, Renata Bressan Pepe, Priscila Gil, Cristiane Kochi, Renata Machado Pinto, Isabel Rey Madeira, Maria Edna de Melo, Jacqueline Rizzolli, Denis Pajecki, Cynthia Valerio, Fabio R. Trujilho, Bruno Halpern

      Fonte: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Relatório

      Tipo de estudo: Diretriz

    2. Obesity-driven gut-immune-brain axis dysregulation: Emerging molecular targets and biomaterial-based interventions

      Autores: Nazmul Mhm, Vetriselvan Subramaniyan, Srikumar Chakravarthi, Thidar Aung, Sergey Gupalo, Wana Hla Shwe, Sutha Devaraj, Phone Myint Htoo, Myat Myo Naing, Lei Lei Win, Aye Aye Tun, Tahmina Afrose Keya, Srikanth Jeyabalan, Chetan Ashok, Mukesh Kumar

      Fonte: Obesity Medicine

      Publicado em: 2026

      Tipo de arquivo: Artigo de periódico

      Tipo de estudo: Revisão

Fique de olho

Cursos:

Agenda do Painel Brasileiro da Obesidade:

Fique de olho em nosso canal do Youtube! 

Quinta-feira, às 11h.

  • 03 de setembro. Live sobre “Lançamento Nota Técnica SIH” com a convidada Jaqueline Gentil, pesquisadora do Instituto Cordial;

Posicionamento Brasileiro sobre Avaliação e Tratamento da Obesidade Pediátrica

Autores: Louise Cominato, Cresio de Aragão Dantas Alves, Mariana Del Bosco, Ludmilla Renie Oliveira Rachid, Latife Salomão Tyszler, Renata Bressan Pepe, Priscila Gil, Cristiane Kochi, Renata Machado Pinto, Isabel Rey Madeira, Maria Edna de Melo, Jacqueline Rizzolli, Denis Pajecki, Cynthia Valerio, Fabio R. Trujilho, Bruno Halpern
Fonte: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Relatório
Tipo de estudo: Diretriz
Link para o original

Por que o tema é relevante?

A obesidade pediátrica é a doença crônica mais prevalente entre crianças e adolescentes e está associada a consequências que se iniciam na infância e persistem durante a vida adulta. A dimensão epidemiológica reforça a urgência, em 2025, estima-se que 177 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos vivam com obesidade no mundo, podendo chegar a 228 milhões em 2040. 

Qual é o objetivo do estudo?

Orientar pediatras, endocrinologistas e equipes multidisciplinares na avaliação e no tratamento da obesidade em crianças e adolescentes.

Quais as principais conclusões?

No Brasil, estima-se que 17 milhões de crianças e adolescentes tenham sobrepeso ou obesidade, dos quais 7 milhões com obesidade. Além disso, até 2035, cerca de 50% da população pediátrica brasileira poderá ter excesso de peso. Entre as consequências metabólicas, destacam-se aproximadamente 4 milhões de casos de MASLD, 1,4 milhão de hipertensão e 572 mil de hiperglicemia.
O posicionamento orienta que o rastreamento do excesso de peso faça parte das consultas pediátricas de rotina, com peso, estatura e IMC avaliados pelo menos uma vez ao ano a partir dos 2 anos. Para o diagnóstico, mantém as curvas da OMS como principal referência, mas recomenda complementar o IMC com indicadores de adiposidade central, especialmente a relação cintura-estatura.
A avaliação deve considerar aspectos metabólicos, mecânicos, mentais e sociais, com investigação precoce de hipertensão, alterações glicêmicas, dislipidemia e MASLD. A saúde mental também merece atenção, já que depressão e ansiedade atingem cerca de 30% a 44% dos adolescentes com obesidade. Sendo assim, a partir dos 10 anos, recomenda-se triagem para alterações lipídicas, glicêmicas e hepáticas e, a partir dos 12 anos, rastreamento anual de depressão.
O tratamento deve incluir alimentação saudável, atividade física, sono adequado, redução do sedentarismo e participação familiar, com abordagem centrada na pessoa e livre de estigma. Nos casos de obesidade grave e resposta insuficiente ao tratamento clínico, a cirurgia bariátrica pode ser considerada, para IMC ≥35 kg/m² com comorbidades ou ≥40 kg/m² sem comorbidades e a farmacoterapia em casos persistentes, graves ou com comorbidades.
Em síntese, o posicionamento orienta o cuidado precoce, multidisciplinar, contínuo, individualizado e livre de estigma, combinando estratégias comportamentais, farmacológicas e cirúrgicas conforme a gravidade, as comorbidades e a resposta ao tratamento.

Obesity-driven gut-immune-brain axis dysregulation: Emerging molecular targets and biomaterial-based interventions

Autores: Nazmul Mhm, Vetriselvan Subramaniyan, Srikumar Chakravarthi, Thidar Aung, Sergey Gupalo, Wana Hla Shwe, Sutha Devaraj, Phone Myint Htoo, Myat Myo Naing, Lei Lei Win, Aye Aye Tun, Tahmina Afrose Keya, Srikanth Jeyabalan, Chetan Ashok, Mukesh Kumar
Fonte: Obesity Medicine
Publicado em: 2026
Tipo de arquivo: Artigo de periódico
Tipo de estudo: Revisão
Link para o original

Por que o tema é relevante?

A microbiota intestinal constitui um importante elo entre alimentação, metabolismo e imunidade. Na obesidade, alterações na composição e na função da microbiota podem favorecer a inflamação sistêmica e a neuroinflamação, contribuindo para disfunção hipotalâmica, alterações na regulação do apetite e possíveis repercussões cognitivas e comportamentais. 

Qual é o objetivo do estudo?

Conectar a disbiose intestinal às alterações imunológicas e neuroinflamatórias com os possíveis alvos terapêuticos. 

Quais as principais conclusões?

O artigo apresenta que a disfunção do eixo intestino–imunidade–cérebro na obesidade resulta da disbiose intestinal que pode reduzir metabólitos protetores e comprometer a barreira intestinal, aumentando sua permeabilidade e favorecendo a passagem de produtos microbianos para a circulação e assim causar inflamação sistêmica e alterações metabólicas.
A microbiota intestinal produz substâncias que ajudam a proteger o intestino, controlar a inflamação e regular o metabolismo, como ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs). Na obesidade, alterações nessas substâncias podem prejudicar essas funções, causando mudanças no processamento de nutrientes como o triptofano gerando compostos potencialmente prejudiciais ao cérebro, criando uma possível ligação entre inflamação intestinal e alterações cerebrais.
A inflamação sistêmica associada à obesidade também pode atingir o cérebro, afetando áreas responsáveis pelo controle do apetite e do gasto energético. Esse processo pode prejudicar a ação de hormônios, como leptina e insulina, e aumentar a inflamação cerebral criando um ciclo que contribui para a manutenção das alterações metabólicas da obesidade.
No campo terapêutico, hidrogéis, sistemas mucoadesivos e nanopartículas podem fazer uma liberação localizada de agentes anti-inflamatórios, metabólitos e pós-bióticos, contribuindo para restaurar a barreira intestinal. Tecnologias como CRISPR, bacteriófagos e probióticos genéticamente modificados, poderiam modificar seletivamente a microbiota e suas funções.
Em síntese, os autores apontam para uma abordagem integrada e de precisão, combinando características da microbiota, metabólitos e marcadores imunológicos e neuroinflamatórios podem orientar intervenções específicas e mais eficazes. Embora promissoras, essas estratégias ainda dependem de ensaios clínicos, avaliação de segurança em longo prazo e avanços regulatórios antes de serem incorporadas ao cuidado da obesidade.