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Como o Congresso pode avançar políticas de saúde para a obesidade

Projetos de lei, articulação política e uso de dados confiáveis são elementos centrais para que temas de saúde pública avancem no Congresso

André Derviche Carvalho

8 de jun de 2026 (atualizado 8 de jun de 2026 às 08h10)

A construção de políticas de saúde no Brasil passa, inevitavelmente, pelo Poder Legislativo. É no Congresso Nacional que projetos de lei são debatidos, modificados e, eventualmente, transformados em normas que orientam programas públicos, direitos e prioridades na área da saúde.

No caso da obesidade, esse processo se torna ainda mais relevante. Isso ocorre porque o problema envolve fatores sociais, econômicos e ambientais que exigem respostas estruturais do poder público. Veja como tramitam propostas legislativas e como trabalhar a incidência em prol de políticas de saúde.

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Como políticas de saúde avançam no Legislativo

No Brasil, uma lei pode ser proposta por parlamentares, pelo Executivo, pelo Judiciário ou por iniciativa popular. Depois de apresentada, a proposta passa por análise nas comissões temáticas antes de seguir para votação em plenário.

Nesse percurso, diferentes fatores podem aumentar as chances de um projeto avançar. Entre os principais estão:

  • Base técnica sólida, com dados e evidências que justifiquem a proposta
  • Apoio político, especialmente de parlamentares com influência nas comissões
  • Articulação com organizações da sociedade civil, que ajudam a dar visibilidade ao tema
  • Convergência com demandas sociais relevantes, como saúde pública

Segundo Carla Marione, assessora parlamentar na Câmara dos Deputados e especialista em Poder Legislativo e políticas públicas, a presença de dados confiáveis é um elemento decisivo nesse processo.

“É preciso colocar na proposição dados e pesquisas estatísticas que justifiquem a necessidade desse PL. Isso o Painel Brasileiro da Obesidade coordena muito bem. A primeira vez que eu confeccionava um requerimento usei dados do Painel. Tudo estava muito fidedigno e muito bem elaborado, o que é muito importante.”

Obesidade ainda busca mais espaço na agenda legislativa

Apesar da crescente prevalência da obesidade e de seus impactos sobre o sistema de saúde, o tema ainda enfrenta dificuldades para ganhar centralidade no debate político. Em parte, isso ocorre porque a obesidade envolve múltiplos determinantes e dialoga com diferentes áreas da política pública.

Nesse sentido, alimentação, ambiente urbano, educação em saúde e acesso ao tratamento são dimensões que se cruzam no debate legislativo. Ao mesmo tempo, essa transversalidade exige articulação entre diferentes setores do poder público.

Para Carla Marione, portanto, ainda há espaço para ampliar a atenção institucional dedicada ao tema.

“Vejo questões pontuais, mas acho que ainda falta um grupo de trabalho ou uma subcomissão. A obesidade deveria ser tratada com maior carinho. Todos querem emagrecer, mas não querem falar sobre isso. É um tema transversal.”

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Incidência qualificada no debate legislativo

Nesse cenário, organizações da sociedade civil e centros de pesquisa têm desempenhado um papel importante ao aproximar evidências científicas do processo legislativo. Por meio de dados, análises técnicas e monitoramento de projetos de lei, essas iniciativas ajudam a qualificar o debate público.

Além disso, esse trabalho permite identificar lacunas nas propostas em discussão e oferecer subsídios técnicos para parlamentares. Assim, o diálogo institucional contribui para que projetos de lei avancem com maior consistência técnica.

“Nós trabalhamos com agendas de incidência no Legislativo e Executivo. Fizemos uma nota técnica e tem um Estatuto em tramitação na Câmara. Nós argumentamos muito com os deputados, sem apoio técnico, acabam fazendo o mesmo”, afirma Doralice Ramos, analista de saúde no Painel Brasileiro da Obesidade do Instituto Cordial.

Hoje, diferentes projetos relacionados ao tema tramitam no Congresso, abordando aspectos como reconhecimento da obesidade como doença crônica, organização do cuidado e garantia de direitos.

Por fim, a incidência qualificada no Legislativo, baseada em evidências e diálogo institucional, tem se mostrado um caminho importante para transformar conhecimento em políticas de saúde capazes de enfrentar um dos principais desafios sanitários da atualidade.