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Obesidade pode custar R$ 60,5 bilhões por ano ao Brasil em 2033

Estudo do Instituto Cordial mostra que a condição já gera impacto bilionário sobre saúde, trabalho e contas públicas

André Derviche Carvalho

14 de ago de 2026 (atualizado 14 de ago de 2026 às 11h42)

O custo da obesidade pode chegar a R$ 60,5 bilhões por ano ao Brasil em 2033, caso o país não avance em prevenção, cuidado integral e organização da rede de saúde. A estimativa integra o estudo “Impactos econômicos e fiscais da obesidade no Brasil”, elaborado pelo Instituto Cordial em parceria com o Global Market Access Solutions (GMAS).

O levantamento mostra que a condição já pressiona as contas públicas. Em 2024, a carga fiscal total associada à obesidade chegou a R$ 44,6 bilhões por ano. Para chegar a esse resultado, o estudo analisou três dimensões: sistema de saúde, mercado de trabalho e impacto fiscal.

Ou seja, o estudo não considera apenas os gastos assistenciais, mas também os efeitos sobre produtividade, arrecadação, afastamentos e despesas previdenciárias. Desse modo, o dado reforça que a obesidade exige resposta de saúde pública, desenvolvimento social e gestão econômica.

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Custo da obesidade em saúde chegam a R$ 29,56 bilhões

Segundo o estudo, os custos relacionados à saúde somam R$ 29,56 bilhões. A conta inclui hospitalizações, medicamentos, exames, tratamentos e comorbidades associadas à obesidade.

No entanto, esse valor pode não expressar toda a dimensão do problema. Como o CID de obesidade ainda aparece pouco nos sistemas de informação, pode haver subnotificação. Com isso, o planejamento de políticas públicas é dificultado.

Por isso, o Instituto Cordial defende a qualificação dos dados e o monitoramento contínuo. Com informações mais completas, gestores podem dimensionar melhor a demanda, organizar a rede e avaliar os resultados das ações voltadas às pessoas com obesidade.

Custo da obesidade também aparece no mercado de trabalho

O levantamento também aponta efeitos econômicos fora do sistema de saúde. Entre os impactos analisados estão a empregabilidade, participação na força de trabalho, rendimentos e desigualdades de gênero.

Nesse recorte, mulheres com obesidade tendem a sofrer maior penalização econômica. O estudo aponta menor remuneração em relação à média das mulheres e maior discriminação baseada na aparência.

Assim, a obesidade passa a ser uma condição crônica e multifatorial, influenciada por fatores biológicos, sociais, econômicos e ambientais. Portanto, políticas públicas precisam evitar culpa, estigma e responsabilização individual.

Reduzir prevalência pode gerar economia

O estudo estima que cada redução de 1% na prevalência de obesidade pode gerar R$ 444,6 milhões de economia anual. Nesse contexto, ambientes alimentares saudáveis, promoção da saúde, acompanhamento contínuo e acesso ao tratamento adequado ganham importância estratégica. Além disso, a resposta precisa envolver diferentes setores e níveis de atenção.

O Instituto Cordial apresentou os achados durante o 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade, promovido pelo Painel Brasileiro da Obesidade (PBO) em 25 de junho. O encontro reuniu especialistas, gestores públicos e uma pessoa com obesidade para debater caminhos de implementação no Sistema Único de Saúde (SUS).

Linhas de cuidado ajudam a organizar o SUS

Além dos impactos econômicos, o Fórum discutiu a importância das linhas de cuidado para obesidade. A linha de cuidado organiza o fluxo da pessoa pela rede, define responsabilidades entre serviços e contribui para garantir acompanhamento ao longo do tempo.

Esse modelo se torna essencial porque a obesidade exige abordagem multiprofissional e articulação entre diferentes níveis de atenção. Sem essa organização, a pessoa com obesidade pode passar por consultas sem continuidade, perder seguimento e chegar tardiamente à alta complexidade.

Durante o evento, especialistas também discutiram experiências de Rondônia e São Gonçalo (RJ). Os casos mostraram que a implementação depende de pactuação, governança, fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS), integração entre equipes e adaptação das políticas à realidade dos territórios.

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Fórum reforça agenda de políticas públicas em obesidade

O 3º Fórum Brasileiro de Políticas Públicas em Obesidade conectou o custo da obesidade do ponto de vista econômico aos desafios de organização do cuidado no SUS. Com isso, o evento reforçou a necessidade de transformar diretrizes em acesso real para a população.

Para o PBO, o manejo da obesidade exige prevenção, cuidado integral, dados qualificados e linhas de cuidado efetivas. Dessa forma, o país pode reduzir desigualdades, melhorar o acompanhamento das pessoas com obesidade e conter os impactos econômicos e sociais da condição.

Sem políticas estruturadas, por outro lado, o custo da inação tende a crescer nos próximos anos. Por isso, tratar a obesidade como prioridade de gestão pública é um passo decisivo para proteger a saúde da população e a sustentabilidade do sistema.