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Conheça os riscos da gordura abdominal

Acúmulo de gordura na região abdominal pode favorecer resistência à insulina, inflamação sistêmica e diabetes tipo 2

André Derviche Carvalho

13 de jul de 2026 (atualizado 13 de jul de 2026 às 10h35)

A gordura abdominal é um sinal importante de risco metabólico em pessoas com obesidade. Isso ocorre porque o local onde a gordura se acumula influencia a resistência à insulina, à síndrome metabólica e ao risco cardiovascular. Entenda essa relação.

Quando se concentra na região da barriga, especialmente ao redor dos órgãos internos, a gordura deixa de ser apenas uma reserva de energia. Nessa condição, ela passa a funcionar como um tecido metabolicamente ativo, capaz de liberar substâncias inflamatórias e interferir no funcionamento de diferentes órgãos.

Por isso, a circunferência abdominal é uma medida relevante na avaliação clínica para identificar o acúmulo de gordura visceral.

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Tipos de gordura, tipos de alerta

Nem toda gordura corporal tem o mesmo impacto no organismo. Enquanto a gordura subcutânea fica abaixo da pele, a gordura visceral se acumula na cavidade abdominal, ao redor de órgãos como fígado e intestino.

Em geral, o acúmulo de gordura abdominal, muitas vezes descrito como formato de “maçã”, preocupa mais do que o acúmulo em quadris e coxas, conhecido como formato de “pera”.

“A insulina estimula a lipogênese: o acúmulo de gordura dentro do tecido adiposo subcutâneo. Isso é uma coisa boa. No tecido adiposo visceral, tem menos capacidade de armazenar gordura e tem pouca sensibilidade à insulina. Esse tecido sofre mais lipólise, que é onde a inflamação acontece”, explica.

Em outras palavras, quando a gordura se acumula de forma predominante na região abdominal, o organismo tende a entrar em um estado de maior inflamação. A partir daí, começam alterações metabólicas importantes.

Como a gordura abdominal favorece a resistência à insulina

A insulina permite a entrada da glicose nas células, especialmente nos músculos, onde ela será usada como fonte de energia.

Quando há excesso de gordura abdominal, o tecido visceral libera ácidos graxos livres e substâncias inflamatórias. Como consequência, as células passam a responder pior à ação da insulina. Esse processo é chamado de resistência à insulina.

Com isso, o músculo capta menos glicose. Então, mais açúcar permanece circulando no sangue. Para compensar, o pâncreas produz mais insulina, tentando manter a glicemia sob controle.

No início, esse processo pode ser silencioso. A glicose sobe pouco, a pressão arterial pode estar apenas discretamente alterada e os exames podem não chamar atenção isoladamente. No entanto, o corpo já pode estar sob maior estresse metabólico.

Quando a gordura abdominal se associa à síndrome metabólica

Com o tempo, a resistência à insulina pode se somar a outros fatores de risco. É nesse ponto que aumenta a chance de síndrome metabólica.

A síndrome metabólica reúne alterações como:

  • aumento da circunferência abdominal;
  • glicemia acima do ideal;
  • pressão arterial elevada;
  • triglicérides elevados;
  • HDL baixo.

Para profissionais e gestores de saúde, esse ponto é central. Isso porque identificar cedo a gordura abdominal e pequenas alterações metabólicas pode evitar que o cuidado comece apenas depois do diagnóstico de diabetes tipo 2, infarto, AVC ou doença hepática gordurosa metabólica.

Como avaliar gordura abdominal e risco metabólico

A avaliação não deve depender de um único exame. Em vez disso, o mais importante é observar o conjunto de sinais clínicos e laboratoriais.

Entre as medidas e exames que podem apoiar a investigação, estão:

  • circunferência abdominal;
  • pressão arterial;
  • glicemia de jejum;
  • hemoglobina glicada;
  • perfil lipídico;
  • ultrassom abdominal, quando indicado.

O caminho é a prevenção

A gordura abdominal deve ser tratada como sinal clínico de risco. Quando ela aparece junto de alterações na glicemia, na pressão arterial ou no perfil lipídico, o risco metabólico exige atenção.

Nesse sentido, o cuidado envolve alimentação adequada, atividade física orientada, acompanhamento psicológico, melhora do sono, tratamento de comorbidades e, quando indicado, medicamentos ou cirurgia bariátrica. No entanto, essas estratégias devem ser individualizadas e acompanhadas por profissionais de saúde.

“O central é a questão da obesidade visceral. É a perda de peso que fará uma melhora generalizada”, afirma Paola Almeida.

Portanto, acompanhar a gordura abdominal ajuda a antecipar o cuidado. Mais do que medir o peso, é preciso entender como a gordura se distribui no corpo, quais alterações ela provoca e como a rede de saúde pode agir antes que diabetes tipo 2, doença cardiovascular e outras complicações se consolidem.