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‘Trauma é gatilho para depressão e excesso de peso’, alerta psicóloga

Especialista fala sobre relação entre quadros de obesidade, ansiedade e depressão

André Derviche Carvalho

1 de jul de 2026 (atualizado 1 de jul de 2026 às 09h27)

Quadros de depressão e de ansiedade podem estar diretamente ligados. De um lado, sintomas depressivos podem levar a pessoa ao sedentarismo à compulsão alimentar. De outro, as alterações metabólicas associadas à obesidade podem levar ao isolamento e a mudanças no humor.

Por conta disso, a psicóloga Patrícia Queiroz, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), defende um tratamento multiprofissional da obesidade. Nesse sentido, os casos de sucesso aparecem quando o paciente é acompanhado por nutricionista, educador físico, endocrinologista e psicólogo.

O acompanhamento psicológico ajuda a  alinhar as expectativas do tratamento e a reduzir frustrações. Em tempos de redes sociais, dietas da moda e canetas emagrecedoras, um suporte em saúde mental ajuda a evitar metas irreais de perda de peso e garante maior aderência ao tratamento da obesidade.

Patrícia lembra que já existem boas práticas no sistema de saúde, que incluem equipes multiprofissionais, uso de tecnologia e programas de saúde mental: “O desafio é garantir que esse modelo não seja um privilégio de poucos, mas que seja acessível no sistema de saúde”.

LEIA TAMBÉM: Cuidado psicológico da obesidade traz tratamento mais efetivo

Relação com o paciente

Um dos pontos de atenção quando o assunto é depressão está no tratamento recebido pelo paciente com obesidade. Isso porque situações de estigma podem agravar quadros de ansiedade e depressão. Tal cenário pode ocorrer quando o profissional de saúde discrimina o paciente pelo peso corporal.

“Muitos pacientes internalizam o discurso de culpa, o que intensifica o sofrimento emocional. O aumento do peso corporal leva ao sofrimento psicológico, sintomas de depressão e angústia. O estresse psicológico trazido pelo estigma contribuem para esse sofrimento, o que pode prejudicar os esforços para a perda de peso”, explica Patrícia.

Assim, a especialista reforça a necessidade de um cuidado qualificado no manejo da obesidade. Um cuidado em que o profissional de saúde acolhe o paciente e não o culpabilize pela doença, seja ela depressão ou obesidade.

O cuidado do profissional de saúde deve considerar também o contexto do paciente. Inclusive, os fatores que o levam para quadros relacionados à depressão e obesidade: “Trauma pode ser um poderoso gatilho tanto para depressão quanto para ganho de peso. Ele ativa o estresse, que aumenta o cortisol e favorece o ganho de peso. Muitas pessoas buscam na comida um conforto emocional”, alerta a psicóloga.