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Crença de que celíacos são magros atrasa diagnóstico

Especialista reforça o papel de profissionais de saúde no diagnóstico e revela os principais sinais de alerta da doença

André Derviche Carvalho

29 de jul de 2026 (atualizado 29 de jul de 2026 às 09h51)

A falta de informação sobre a doença celíaca pode levar a crer que o quadro não afeta pessoas com obesidade. Isso porque a doença celíaca está associada à baixa absorção de nutrientes, condição que também pode ocorrer em pessoas com obesidade.

Com isso, especialistas reforçam a importância de ter profissionais de saúde capacitados para fazer o diagnóstico e indicar o tratamento da doença.

A doença celíaca é uma condição autoimune causada pela ingestão contínua de glúten em indivíduos com predisposição genética. Ela pode surgir em qualquer momento da vida e tem os seguintes sintomas: diarreia, desnutrição, perda de peso, dor abdominal, fadiga, anemia e osteoporose. Além disso, a doença celíaca provoca alterações neurológicas, tireoidianas e menstruais, no caso de mulheres.

Doença celíaca e obesidade

A nutricionista e professora universitária Juliana Crucinsky aponta que há uma crença de que a doença celíaca afeta somente crianças, pessoas brancas e/ou com baixo peso. Isso afasta um grupo considerável do diagnóstico precoce e, consequentemente, de um cuidado mais efetivo.

Ela alerta principalmente para casos em que a doença celíaca coexiste com a obesidade: “Nem sempre a desnutrição vai afetar o peso do indivíduo. A desabsorção pode ser parcial e o comprometimento pode se dar em micronutrientes. Muitas vezes o indivíduo está com peso eutrófico ou até com sobrepeso e a doença passa despercebida, o que atrasa muito o diagnóstico”.

Inclusive, o próprio consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, hábito associado ao excesso de peso, pode levar o indivíduo ao desenvolvimento da doença celíaca.

Diagnóstico tardio

O estudo “Fragilidades no cuidado em saúde às pessoas com desordens relacionadas ao glúten”, publicado no Cadernos de Saúde Pública, aponta o diagnóstico tardio da doença celíaca como um dos principais desafios no cuidado da doença.

Nesse sentido, anos de sintomas, consultas sem resposta, exames incompletos e orientações contraditórias aparecem com frequência nos relatos de pessoas com desordens relacionadas ao glúten.

“Quanto mais tarde o diagnóstico da doença celíaca, pior vai ser a recuperação da mucosa intestinal. Depois disso, mesmo com o diagnóstico e dieta sem glúten, a mucosa intestinal não se recupera”, destaca Juliana.

A demora no diagnóstico está associada a falhas no cuidado em saúde e pode contribuir para complicações como anemia, osteoporose, alterações neurológicas, infertilidade e outros agravamentos.

Capacitação profissional

Por isso, é importante que profissionais de saúde entendam a importância do diagnóstico e saibam reconhecer sinais variados e conduzir adequadamente a investigação clínica da doença celíaca. Vale lembrar que existe um protocolo clínico nacional para a doença desde 2009.

Juliana aponta que estão entre os principais sinais de alerta: estomatite, alterações intestinais, constipação crônica, anemia, fadiga, desgaste no esmalte do dente, mudanças de humor, entre outras. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece os exames necessários para o diagnóstico. Assim, Juliana defende uma formação continuada de profissionais de saúde para que estejam aptos a identificar a doença.

Com relação ao tratamento, mudança de hábitos alimentares, com uma dieta livre de glúten, está entre as principais estratégias de intervenção: “Com o indivíduo com obesidade, procuramos adequar as escolhas e orientações pensando em promover uma perda de peso de forma sustentável. Priorizamos alimentos ricos em nutrientes e o aumento da saciedade”.