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Centro oferece tratamento especializado da obesidade no Distrito Federal

CEDOH acompanha pacientes por até dois anos e reúne diferentes profissionais no cuidado de casos de maior complexidade

André Derviche Carvalho

26 de out de 2026 (atualizado 26 de out de 2026 às 11h24)

Desde 2017, o Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (CEDOH) atende pacientes com condições crônicas no Distrito Federal.

No cuidado da obesidade, o serviço recebe casos de maior complexidade, como pessoas com obesidade grau 2 associada a complicações e obesidade grau 3. Além disso, o programa organiza uma jornada de cuidado que pode durar até dois anos.

A nutricionista Cássia Regina Nery Luz apresentou a experiência do centro durante uma live do Painel Brasileiro da Obesidade (PBO), do Instituto Cordial. Ela trabalha no CEDOH desde 2017 e participou da criação do protocolo de tratamento da obesidade adulta no Distrito Federal.

O tratamento especializado da obesidade no CEDOH

A Unidade Básica de Saúde (UBS) funciona como porta de entrada do sistema. Quando a equipe identifica a necessidade de atendimento especializado, inclui o paciente no sistema de regulação para acesso ao CEDOH.

Inicialmente, o centro realiza o acolhimento e a avaliação pela equipe de endocrinologia. Depois, o paciente participa de oficinas sobre alimentação, atividade física, aspectos psicológicos, sono, medicamentos e doenças associadas à obesidade.

Na sequência, profissionais de diferentes áreas passam a acompanhar o paciente em consultas individuais e atividades de manutenção. A equipe inclui endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas, entre outras especialidades.

“O alinhamento entre os profissionais em relação ao tratamento da obesidade é importante para que o paciente se sinta seguro e confiante“, destaca Cássia.

Tratamento vai além da perda de peso

O CEDOH trabalha com uma meta de redução de 5% a 10% do peso inicial por ano de tratamento. Uma redução nessa faixa já pode diminuir complicações metabólicas e mecânicas relacionadas ao excesso de peso.

No entanto, a equipe não avalia o resultado apenas pela balança. O acompanhamento também considera alimentação, comportamento, atividade física, composição corporal, força e adesão às orientações.

Além disso, o programa incentiva o autogerenciamento da doença. Para isso, orienta os pacientes a estabelecer metas, acompanhar hábitos e participar ativamente das decisões relacionadas ao tratamento.

Integração com as UBS é um dos desafios

O CEDOH ainda enfrenta obstáculos como abandono do tratamento, oferta limitada de medicamentos pelo SUS e necessidade de ampliar a equipe. Diante desse cenário, Cássia relata que não é raro encontrar pacientes retornando ao tratamento especializado mesmo após a conclusão do ciclo.

Nesse sentido, a dificuldade de adesão ao tratamento pode estar relacionada a diversos fatores, desde a rotina de trabalho e cuidados domésticos dos pacientes até a distância física entre o centro e suas residências.

Por isso, uma das propostas de aprimoramento prevê uma maior participação das UBS antes do encaminhamento para o CEDOH. A ideia é ampliar o cuidado na Atenção Primária e concentrar no centro os pacientes que precisam de acompanhamento mais complexo.

Dessa forma, a experiência do CEDOH mostra como o SUS pode estruturar uma jornada de tratamento da obesidade com acompanhamento prolongado, atuação de diferentes profissionais e integração entre os níveis de atenção à saúde.

“O SUS oferece cuidado e tratamento para a obesidade. Procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima de você. Existe uma linha de cuidado que inclui acompanhamento na atenção básica e, quando necessário, atendimento especializado”, recomenda Cássia.